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O ante projeto de reforma universitária da UNE: Por uma universidade popular

Postado em julho 23rd, 2008 em Artigos and tagged , by thiago

por Tales de Castro

Durante o 56º CONEG da UNE aprovamos uma importante resolução: o ante projeto de educação que iremos apresentar para a sociedade brasileira.

Nesta resolução temos alguns eixos centrais a serem debatidos e aprofundados para que de fato o projeto da UNE seja transformador na universidade brasileira. Mais do que um projeto de universidade, queremos contribuir para a transformação da educação em nosso País.

O modelo de ensino hoje é voltado para a lógica de mercado, ou seja, formar indivíduos que reproduzam a lógica consumista e disputa de espaço na sociedade sem pensar na forma como o mundo pode criar uma dinâmica de sustentabilidade e mudança de valores.

Neste sentido, as entidades estudantis precisam voltar seu debate para dentro da universidade colocando como fundamental muito mais a mudança pedagógica do que a luta por mudanças na estrutura física das instituições de ensino.

Temos que ter como objeto de luta a qualidade de ensino, que deve ser apresentado para a transformação da sociedade, formar pessoas para contribuir com uma sociedade justa e igual, uma sociedade para todos e todas serem de fato incluídas e participativas no processo de desenvolvimento social.

Sendo assim o movimento estudantil precisa, em todo o Brasil, se colocar a favor de uma universidade diferente, uma universidade popular. Para isso é fundamental fortalecermos o debate da extensão popular e da assistência estudantil. A extensão universitária de viés popular é central para a mudança de rumos da universidade brasileira. Além disso, precisamos defender a permanência dos estudantes na universidade. Permanência que de fato dê condições para que o estudante tenha possibilidades de produzir extensão e pesquisa, no fortalecimento da produção de conhecimento e tecnologia.

Ou seja, a extensão popular e a assistência estudantil são dois fatores que devem ser motivadores da luta estudantil em nosso país. E estes são dois eixos fundamentais no projeto de educação que a UNE irá apresentar. Só conseguiremos transformar o ensino da universidade e colocá-lo a serviço do desenvolvimento de um projeto nacional de justiça social e igualdade entre as pessoas, caso seja garantida a produção de pesquisa em conjunto com a sociedade através da extensão popular. Outro ponto importante diz respeito a permanência na universidade que deve ser garantida para os estudantes brasileiros poderem se formar e contribuir para um Brasil desenvolvido e comprometido com as classes populares.

É fundamental que também possamos protagonizar o debate de mudança nas grades curriculares, que na maioria das universidades se colocam a ensinar na perspectiva do mercado e da burguesia nacional.

Para isso precisamos aprofundar a nossa intervenção na mudança das grades acadêmicas e curriculares para que, de fato, as disciplinas sociológicas, históricas e antropológicas possam ser alicerce de qualquer profissão na perspectiva de humanizar o conhecimento.

A humanização do conhecimento é conceito a ser pautado por todas as entidades estudantis na luta por um ensino público gratuito e de qualidade. A humanização do conhecimento é a transformação da sociedade. É a universidade como pólo de produção de conhecimento para resolver os problemas sociais. A humanização do conhecimento é inverter a lógica de produzir máquinas para formar humanistas que desenvolvam projetos e se coloquem profissionalmente para contribuir com um mundo melhor.

Neste sentido precisamos pautar diariamente nas universidades a extensão popular e a assistência estudantil na perspectiva de construir uma universidade popular. Uma universidade que esteja de portas abertas para o povo brasileiro.

Por uma Universidade Popular, esta é a nossa luta!!!

“(…) a universidade deve ser flexível… deve se pintar de negro, de índio, operário e camponês. Ou então ficar sem portas; para que o povo possa invadi-la e pintá-la com as cores que ele quiser”. CHE GUEVARA

Tales de Castro é vice Presidente da UNE

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