Por Lukas Thiago Cardoso
Camaradas, há muito venho refletindo sobre a importância dos movimentos estudantis para o desenrolar da política em nossa sociedade, e agora chego até vocês por meio deste ensaio. Não quero aqui, de maneira alguma, apontar soluções ou fazer críticas infundadas, quero sim fazer questionamentos, da maneira que nos ensina a boa e velha maiêutica. Primeiramente, pergunto a todos que lêem este ensaio, qual a verdadeira mola propulsora da juventude, organizada em movimentos estudantis, que leva esta aos seus objetivos hoje?
É imprescindível antes de darmos continuidade a este, lembrar o quão desqualificados, politicamente, estavam, e estão ainda – por pouco tempo –, a juventude, que somente agora se levanta novamente, que apenas agora volta a dar sua cara a tapa. Esta juventude passou por um período apático, apagado, mas agora se fortalece. A juventude dos últimos oito anos se desfez de suas raízes idearias para ficar em suas casas, escolas, universidades, etc., sentados, pois é sempre mais fácil, e útil, a todos os que não se comprometem com o país e “financiam”, ou são “financiados”, os movimentos estudantis que a juventude se estagne. Talvez por esse motivo tenhamos visto o descaso da juventude com sua própria luta, mas o que tenho a alertar é que, aqui estamos novamente. A águia que a pouco vocês viram em um vôo baixo, águia que quase caiu, agora alça uma nova rota de vôo. Não temos mais os freios que outrora nos preocupavam, embora agora tenhamos mais dificuldade de mobilização devido ao novo freio, aquele imposto pela mídia de massa. Muitos de nós não são capazes de discernir a realidade de uma grande mentira criada para que nos calemos. Ensinam-nos a ficarmos quietos, pois devemos estudar e não fazer “arruaça”, somos estudantes “inteligentes” e devemos seguir as regras a priori impostas.
Tremam políticos que usam e abusam do Brasil, pois a juventude se reergue, tremam corruptos e covardes que tentam nos “avacalhar” aqui estamos e não tememos o debate. Nós somos o movimento estudantil reerguido sob os alicerces das experiências vividas por heróis de outrora, pelo sangue de Honestino a águia estudantil retorna. Alguns devem estar se perguntando “E porque voltamos?”.
Sim camaradas, voltamos porque os sonhos não morrem, voltamos porque ainda corre em nós a esperança de um Brasil melhor, e é exatamente isso que procuramos construir. Temam-nos, pois agora estamos cada vez mais fortes, a juventude que tanto tentaram calar se (re)ergue através da educação e da história, e isso nos torna mais fortes do que qualquer ideal neoliberal, capitalista, que queira nos transformar em máquinas. Nós estamos aqui e gritamos por nossas bandeiras mesmo que queiram à força nos fazer parar. A sociedade precisa de nós. E nós precisamos, e desejamos vividamente, de uma sociedade melhor.
Peço agora a todos os camaradas que vêem a juventude como os arqueiros que em uma guerra são os primeiros a entrarem e os últimos a saírem, pois somos assim, e assim somos porque temos força e disposição para isso. Não aguentamos mais que nos imponham algo pronto, esta guerra é nossa e devemos assumir isto. Não lutamos contra os lideres desta sociedade em que vivemos, mas lutamos em prol da causa social. Se precisarmos arrebentar nossa própria idéia arraigada em preconceitos é o que faremos hoje. Nos modificamos, nos adaptamos, mas não uma adaptação que aceita a sociedade brasileira como está. Somos a juventude brasileira, exigimos respeito e queremos confiança.
Portanto, não nos importa se é apenas um que luta ao nosso lado, pois se este um é um militante de qualidade estamos satisfeitos, não precisamos de números, mas de revolucionários. Tremam avacalhadores e calhordas cá estamos e não vamos fugir à luta, mesmo que isto nos faça andar a pé por todo o Brasil buscando de canto a canto companheiros de luta, pois juntos somos fortes. Estamos cada vez mais inteligentes. A política está cada dia mais em nossas bocas, sabemos sobre ela, e descobrirmos algo super importante para a evolução de nossa espécie: política, religião e futebol se discutem sim. A juventude vem forte, nos refizemos e agora alçamos o retorno da águia. Pois quando um de nós precisar de força, fé e fúria lá estaremos. Façamos a revolução. Como diria o grande Ernesto Guevara “Hasta la vitoria, siempre!”.
Lukas Thiago Cardoso é estudante de Pedagogia da UEG e militante do Movimento Mudança

