Quando fui perguntado sobre isso, várias coisas passaram na minha cabeça, mas uma palavra em especial me massacrava: Representatividade, Representatividade!
As reivindicações do DCE podem ir muito mais além das demandas estudantis, mais do que garantir boas condições de ensino, da pesquisa, da extensão, lutar por RU, Casa do Estudante, melhorias nos laboratórios, melhores estruturas na Instituição, o DCE pode (e deve) interferir na políticas da sociedade, lutar por passe livre, contra a corrupção, contra as desigualdades, preconceitos e outras tantas coisas que achamos necessário para vivermos num mundo melhor. Porém o DCE nunca pode se afastar do estudante, e é nesse ponto que a entidade precisa estar atenta. É preciso que o DCE crie ferramentas que consigam identificar e trazer para si quais são as reais necessidades e demandas dos estudantes, e junto com eles propor alternativas, soluções.
Para o DCE identificar quais são os temas (ou problemas, necessidades) que afetam diretamente o dia a dia do estudante é preciso que ele esteja em contato direto com sua base, pois um Diretório descolado do estudante (logo descolado da realidade) não tem nenhuma legitimade, e esse ponto é central para a “tal da representatividade”, só vamos garantir avanços no Movimento Estudantil quando o estudante olhar para o DCE (e não somente para o DCE, mas também para o CA/DA, UEE, UNE) e enxergar essa instituição como a verdadeira defensora da sua categoria, como um instrumento que só fortalece a luta estudantil que luta a favor do estudante e não contra seus interesses.
Mas infelizmente as coisas não são fáceis quanto parece, e não existe uma receita de bolo para garantir o sucesso das entidades estudantis, porém algumas dicas devem ser levadas em considerações.
1º antes de mais nada, o estudante precisa saber que existem entidades que lutam pelo direito da categoria, no caso do DCE, ele não representa quem nem sabe o que é ISSO, afinal de contas o que é DCE? pra que(m) serve? se o estudante não souber isso, algo está indo muito mal…
2º faça com que o estudante se interesse pelo DCE e mostre a força que a entidade pode ter, mas lembre-se a maioria do meio acadêmico se interessa se a entidade estiver realmente no dia a dia do estudante, se as aparições forem esporádicas o diretório perde toda a sua credibilidade.
3º Abra as portas do DCE, faça reuniões públicas, passe em sala convidando os estudantes para debates, reuniões, festas, atividades culturais, mostre que o DCE faz parte do dia-a-dia do estudante.
4º Articule o rede do movimento estudantil, promova CEB’s (Conselho de Entidades de Base), entre em contato com os CA’s/DA’s, com a a UEE, procure se interar das movimentações nacionais, procure e participe das atividades da UNE.
5º Instale ferramentas que façam com que o estudante se sinta parte da construção do DCE, convoque assembléias gerais para discutir o aumento de mensalidade, a falta de um RU, o problema de segurança da universidade, a falta de estrutura. Crie um orçamento participativo, deixe os estudantes, os CAs/DAs, dizerem onde o dinheiro do DCE deve ser investido.
Feito isso garanta a transparência da entidade, preste contas, se comunique com estudante, pois quem tem a ganhar é o movimento estudantil, e quando o movimento ganha, toda a sociedade se beneficia, é só ser um pouco saudosista e olhar para o passado e ver quem estava a frente nas maiores movimentações do século XX.
Camilo Vanni
Secretário Geral da UPE

