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Tão distantes e tão próximos: O Eixo das ditaduras na UNIR e na USP

Postado em novembro 7th, 2011 em Artigos, Manifestos, Movimento Estudantil and tagged , by bozoh

João Jales*

Tão distantes e tão próximos.
Acreditar que estamos vivendo num momento em que cada vez mais se tem direitos humanos e civis sendo garantidos, observar duas situações tão distantes geograficamente (Tratemos de Rondônia e São Paulo) e tão próximas da vergonha pela qual foi o cenário repressivo que vivemos em anos de chumbo é algo um tanto quanto preocupante.
Os episódios que ocorrem na USP e na UNIR, soam como uma afronta a toda a história de lutas para que fossem garantidos direitos como a livre manifestação de pensamento e o direito de ir e vir.
A greve na UNIR dura há dois meses e, de acordo com as redes sociais, não há perspectiva para que acabe este ano, visto que existe uma serie de denúncias envolvendo o Reitor e as negociações por decisões drásticas, que vem influenciar diretamente nas estruturas administrativas da Reitoria, derrubando o Reitor e o suposto esquema em que se envolvem ele, professores de departamentos e cursos favorecidos politicamente por ele e aliados dele.
A Ocupação na USP mostra hoje um reflexo de anos de governos tucanos, sendo administrada por uma política de intervenção direta do Governador: O Reitor da USP não tem sequer vencido a eleição que disputou para o cargo já mostra o descontentamento da comunidade uspiana e a incapacidade de gerência que se mostra na figura de Rodas e por conseguinte, do governo de SP.
Ambas as instituições têm sofrido graves violações de direitos humanos por parte das polícias (Federal em Rondônia e a PM em São Paulo) e ainda [pasmem!] por capangas e jagunços contratados com a finalidade de ameaçar e praticar a pistolagem. Pistoleiros em Rondônia e um convênio com a PM em São Paulo mostram a falta de tato para o debate com ambientes importantes à produção e diálogo com os conhecimentos na sociedade: as universidades.
Vir a público denunciar, apoiar e construir essas lutas é fundamental ao movimento estudantil. Encontrar momentos em que vemos um retrocesso. Caímos em um túnel do tempo, e que nos vemos vislumbrando ditaduras, com policiais e pistoleiros à procura de professores, estudantes e funcionários de universidades. Isso é um absurdo! Pelo fato de não aguentarem as condições em que trabalham e estudam, denunciar injustiças e exigir transparência do uso do dinheiro público e compromisso com a educação e com a sociedade? Digam onde está o crime!
O movimento estudantil brasileiro deve repudiar essas atitudes na UNIR e na USP e relembrar noss@s estudantes, mort@s para que alcançássemos a democracia em que vivemos. Relembrar para que não se esqueça, e para que jamais volte a acontecer. Todo apoio às manifestações da USP e da UNIR!

*João Jales é Diretor de Direitos Humanos da UNE e militante do Movimento Mudança.

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