Ainda acham que a gente não sabe se comunicar [ou Qual a cor da minha pele? É roxo. Roxo hematoma.]

Posted janeiro 11th, 2012 in Artigos, Comunicação, Manifestos, Movimento Estudantil, Movimentos Sociais by bozoh

por Bárbara Vasconcelos¹  e  João Jales².

Mais uma vez vemos estudantes sofrendo agressões daqueles que deveriam zelar pela nossa segurança.  Entender essa dinâmica não é fácil. Não para quem nasceu e se criou no berço da democracia. Ainda que com uma cultura política que precisa ser transformada, convenhamos: vivemos hoje os frutos colhidos de gerações que se desgastaram física e psicologicamente para que nossa geração usufruísse de nossos direitos. Entretanto há algo além da cultura política que precisa se transformar. E esses resquícios de ditadura nos cercam como se esperassem por um vacilo nosso para abocanharem novamente o poder e nos mostrar a que vieram.

A cultura de violência que os aparelhos repressores do Estado perpetuam no Brasil é o sinal que as mudanças ainda precisam ser feitas. Nossa geração, considerada mais libertina do que libertária, tem essa rotulação justamente para que se desqualifiquem nossos argumentos. Somos taxados de vândalos, baderneiros, maconheiros, marginais, não por acaso. Criminalizar a juventude sempre foi via de regra para a atuação dos aparelhos de repressão do Estado, e aplicação da violência para coerção faz parte dos mais antigos manuais militaristas.

Nosso momento de ascensão à uma “maturidade democrática” não combina mais com essa cultura de violência. Chegamos a um patamar de discussões em que a própria sociedade precisa intervir na formação e preparação daquele que quer te fazer sentir seguro, mas constrange e agride tanto quanto aquele de quem ele diz te proteger.

Quando isso passa por um Estado disposto a manter esse status quo de repressão, criminalização e marginalização da juventude encontram em São Paulo um prato cheio para se perpetuar. Encontra numa falsa idéia de segurança no campus da USP o suspiro que precisava pra se manter vivo. Encontra no governo estadual que executa suas ações o álibi que precisa para justificar sua truculência e acefalia. Onde não se consegue se resguardar, não importa: agride cegamente tal qual um cão acuado e raivoso, ciente que seu tempo está por se encerrar, mas “não antes da última mordida”.

O que pensar de um policial racista? Aliás… Racista, violento e abusivo?

Um estudante negro em meio a vários outros é alvo de questionamentos não feitos a qualquer outro presente no recinto – Diretório Central Estudantil – Algumas perguntas me tem sido recorrentes desde que vi as chamadas, a matéria, os comentários a cerca do ocorrido: esse policial nunca ouviu na vida dele que preconceito racial é crime? Ele não faz ideia da velocidade dos veículos de comunicação, incluindo redes sociais? Tem ele noção do abuso escancarado e transbordante que suas ações exibem? Ou ele confia demais na farda que usa? (essa última eu queria nem ter imaginado)
O fato é que muita coisa gira em torno de um acontecimento desse nível, ainda por cima quando é dentro de um espaço que serve (ou serviria) para preparar melhores cidadãos e partindo de um orgão público de segurança. Que segurança é essa que nos protege? Qual o entendimento que um indivíduo desses tem sobre cidadania?
Mais perguntas: que preparo esse ‘profissional’ tem pra lidar com situações de conflito? Quem prepara, prepara?
Claro que nenhum dos questionamentos justifica as atitudes preconceituosas dele, mas ainda assim, eles precisam ser lançados. Os estudantes que fizeram a gravação e que a publicaram tem a consciência de que algo precisa ser feito.
Mas é necessário que para além dos estudantes da Universidade de São Paulo, para além d@s militantes do movimento estudantil, a sociedade em sua amplitude, esteja consciente do que é preconceito e principalmente de como combatê-lo.
Comunicação legítima, sem as máscaras da mídia capitalista desse país, já me parece um grande avanço.

Enquanto não transformarmos essa cultura de violência sustentada na mentalidade retrógrada oriunda da Ditadura numa cultura de diálogo, onde o policial não seja reconhecido como um agente de propagação de violência e sim como um agente de dissuasão dela, viveremos estes tristes momentos. Mas não cessaremos, assim como os que vieram antes de nós não cessaram. Como Thiago de Mello diria, “os que virão serão povo, e saber serão lutando”.

Enquanto isso, se um policial militar em São Paulo te perguntar qual a cor da bota dele, responda vermelho: Vermelho do seu sangue. Se ele perguntar a cor de sua pele, responda roxo: Roxo hematoma. Só por comodidade… E não por conformidade, certo?!

¹ Bárbara Vasconcelos é estudante de Comunicação Social da FMNassau e Coordenadora Administrativa do DACOM da FMNassau em Recife / PE;

² João Jales é Diretor de Direitos Humanos da UNE e  Direção da Juventude do PT em João Pessoa / PB.

Muito Além da USP

Posted novembro 11th, 2011 in Artigos by babi
Tenho lido e ouvido muita coisa sobre os acontecimentos na USP nos últimos dias. Muitas besteiras, posições reacionárias e algumas poucas opiniões progressistas. Penso que o que aconteceu na USP pode gerar ainda muito mais debate que aquilo que vem sendo discutido, por isso resolvi escrever sobre o assunto.
Sobre a ocupação da reitoria
Como todo mundo já cansou de ouvir, a detenção de 3 estudantes da USP no dia 27 de outubro acabou gerando a revolta de muitos estudantes que se confrontaram com a PM para impedir que as prisões se concretizassem. A partir disso, estudantes realizaram uma assembléia onde se discutiu a ocupação da reitoria. A maioria presente na assembléia decidiu por não ocupar a reitoria. Um grupo minoritário seguiu para a reitoria e decidiu ocupá-la independente da decisão da assembléia
A atitude desse grupo foi um desrespeito à democracia no movimento estudantil. Pois uma coisa é não reconhecer um fórum e agir independente dele, outra é participar de um fórum, defender suas posições, ser derrotado e depois agir contra a posição da maioria. A atitude dos que ocuparam a reitoria, independente do mérito da questão, foi equivocada. Porém, a quem compete julgar este equívoco?
Certamente, não à PM, nem ao governador, o reitor ou a mídia que nos últimos dias atacaram a legitimidade da ocupação apoiando-se neste fato. Ora, os problemas internos do movimento estudantil dizem respeito apenas aos estudantes.
E justamente, o reitor que é investigado por corrupção pelo ministério público e que ocupa o cargo como biônico, já que perdeu a eleição vem questionar a legitimidade da ocupação? Não lembro da mídia que hoje ataca os estudantes por desrespeitarem a vontade da maioria da assembléia, fazer estes mesmos ataques quando pela primeira vez depois da ditadura militar o reitor da USP foi indicado sem ter sido eleito pela comunidade universitária. Nem lembro do atual governador Geraldo Alckmin dizer ao então governador José Serra que ele precisava de uma lição democracia. Mas a hipocrisia não pára por aí.
Os motivos da ocupação
A grande mídia vem veiculando insistentemente, de forma aberta ou velada, que a ocupação se deu por que um grupo de estudantes da USP querem “o privilégio de fumar maconha em paz na universidade”. Esqueceu ela de contar que a presença da PM na USP é motivo de constrangimento não apenas para quem se confronta com a lei, mas para diversos estudantes e funcionários que são abordados todos os dias pela PM, principalmente negros. Estudantes abordados para entrar no prédio de aulas ou na biblioteca, centros acadêmicos invadidos pela PM, sem qualquer mandado judicial. Este é o cotidiano da USP desde que o convênio entre a universidade e a PM foi assinado.
O caso dos 3 estudantes foi apenas o estopim de um longo período de revolta de parte da comunidade universitária contra a presença ostensiva da PM no campus.
Contra esta presença intimidatória que aquele grupo de estudantes, certos ou errados, ocupou a reitoria.
Obviamente não se defende que a polícia não possa entrar de forma alguma na universidade. A questão é se ela deve ou não ser a responsável pela segurança ostensiva no campus. Voltarei a este assunto mais à frente.
A invasão da reitoria pela PM
Como era de se esperar a justiça que leva meses e até anos para agir a favor dos oprimidos, agiu rápido mais uma vez para “restabelecer a ordem”. Veio o mandado de reintegração de posse no dia 7 de novembro. A ordem era para que o prédio fosse desocupado até às 23 horas daquele dia. A polícia militar esperou até próximo das 5 horas da manhã do dia seguinte para fazer cumprir a ordem. Faltava pouco para que o dia amanhecesse, mas a opção da PM foi de invadir a reitoria ainda de madrugada, em mais uma atitude de desrespeito aos direitos das pessoas que ali estavam. Pois reintegração de posse se deve fazer à luz do dia, onde se pode fiscalizar melhor a ação das autoridades e se coibir eventuais abusos.
Além do que, estava marcada para aquela manhã uma audiência dos estudantes com o reitor para discutir a situação. Mas a mídia, a opinião pública conservadora, o reitor e o governo tinham sede de sangue e não podiam esperar para negociar, era necessário montar uma operação espetacular para arrancar os estudantes da reitoria.
Vale ressaltar também a opção do reitor Rodas pela truculência, que ao invés de tentar esgotar os meios de negociação com os estudantes, preferiu, em primeiro lugar recorrer à justiça.
A operação de guerra montada para despejar cerca de cem estudantes mobilizou cavalaria, helicópteros e vários ônibus do Batalhão de Choque, além de mais três grupos de elite da polícia militar.
Conforme relato de uma estudante que foi à reitoria cobrir o acontecimento pelo Jornal do Campus, após a PM invadir a reitoria, os estudantes que lá estavam foram mantidos em cárcere dentro do prédio por mais de 1 hora, mesmo sem ter havido qualquer resistência à ação, como a própria comandante da operação Maria Yamamoto relatou: “não houve resistência; eles foram pegos de surpresa”. Mesmo assim, alguns estudantes relataram ter sido agredidos pelos policiais. Sem falar dos estudantes que conseguiram sair da reitoria quando o Batalhão de Choque chegou e que foram levados de volta para lá pela polícia.
Finalmente, os estudantes detidos foram encaminhados à delegacia de onde só saíram mediante pagamento de fiança.
Por que retirar a PM do campus?
Retomando o debate iniciado acima, é óbvio que a polícia pode entrar em qualquer lugar onde aconteça um crime, seja na USP, seja numa universidade privada, ou qualquer outro lugar.
Ninguém defende a universidade como um lugar à margem da lei. Portanto, não está em questão o direito da PM entrar ou não na USP quando sua presença se fizer necessária. A questão é: a PM é necessária para fazer a segurança ostensiva do campus? Mais que isso: ela está preparada para cumprir esta tarefa? Sua presença no campus respeita a autonomia universitária?
Minha resposta para estas questões é não. Não, a PM não é necessária para fazer a segurança do cotidiano do campus, este papel pode e deve ser cumprido por uma guarda universitária, com servidores concursados, subordinados diretamente à administração da universidade e submetidos ao estatuto e aos órgãos de controle próprios da instituição.
A PM também não está preparada para cumprir esta tarefa, como aliás não está preparada para garantir a segurança da sociedade em geral, o que comentarei mais à frente.
E não, a presença da PM no campus não respeita a autonomia universitária. A universidade é por excelência o espaço destinado a produzir conhecimento para a sociedade. Este conhecimento deve ser livre da tutela de governos, para servir à sociedade. Por isso a autonomia universitária é fundamental. A presença da PM no campus é a presença do braço armado do governo na universidade. É bom lembrar que em última instância, os policiais militares são comandados pelo próprio governador. A presença da polícia militar no campus universitário constrange as manifestações políticas dentro da universidade.
A pergunta, portanto, pode ser invertida: por que colocar a PM no campus? Por que a USP não pode fazer como outras universidades e inclusive, outros órgãos públicos, que possuem uma guarda própria?
O histórico que envolve a relação entre a PM e a USP demonstra claramente qual o propósito do governo de São Paulo e do reitor de manter a polícia militar lá dentro: fiscalizar, monitorar e reprimir os movimentos estudantil e sindical. Esta é a sua real função dentro da USP e é contra isso que hoje estudantes e trabalhadores daquela universidade estão lutando.
Para além da USP, pelo fim da polícia militar!
Os fatos ocorridos na USP levantam um outro debate: para que serve a polícia militar?
O Brasil é uma das poucas, senão a única, democracia no mundo que encarrega militares na função de policiamento das cidades. Esta é uma característica típica de ditaduras, de estados policiais, totalitários.
A existência das polícias militares no Brasil é mais um dos muitos resquícios de nosso passado anti-democrático.
Os militares encarregados pela segurança dos civis são regidos por leis militares, submetidos à tribunais próprios e a prisões próprias. Na prática, isto dá a eles liberdade para cometerem todo tipo de abuso, especialmente nas comunidades pobres, pois sabem que serão julgados e punidos como militares. Se tiverem que cumprir pena, o farão num quartel protegidos por seus “companheiros de farda” contando com todas as regalias que o corporativismo da PM possa garantir, como demonstrou o recente caso da festa em que PM’s “presos” num quartel do Rio de Janeiro fizeram.
Quem já sofreu agressão policial, sabe o quanto é difícil processar o responsável, pois o processo esbarra nas mãos de um corregedor (coincidentemente mais um PM) que no caso de muita sorte da vítima, vai encaminhar o processo à justiça militar, depois de anos.
O que deve ser questionado a partir do caso da USP é como o monopólio estatal da violência é utilizado pela polícia militar para impor uma política de repressão contínua e de extermínio de vozes dissonantes da ordem estabelecida ou de setores marginalizados na sociedade.
É fato comum em qualquer comunidade pobre do Brasil, os moradores relatarem casos de abuso de autoridade policial: invasões de domicílios sem mandado judicial, prisões arbitrárias, agressões, torturas e até assassinatos.
Comum também, os casos de repressão violenta por parte da PM contra os movimentos sociais, o caso da USP é apenas mais um.
Devemos questionar com isso, a existência de uma instituição que existe não para garantir a segurança da sociedade, mas o seu controle por parte do Estado.
Anderson Rodrigo
Estudante de História da UFPE e ex-diretor da União dos Estudantes de Pernambuco

Tão distantes e tão próximos: O Eixo das ditaduras na UNIR e na USP

Posted novembro 7th, 2011 in Artigos, Manifestos, Movimento Estudantil by bozoh

João Jales*

Tão distantes e tão próximos.
Acreditar que estamos vivendo num momento em que cada vez mais se tem direitos humanos e civis sendo garantidos, observar duas situações tão distantes geograficamente (Tratemos de Rondônia e São Paulo) e tão próximas da vergonha pela qual foi o cenário repressivo que vivemos em anos de chumbo é algo um tanto quanto preocupante.
Os episódios que ocorrem na USP e na UNIR, soam como uma afronta a toda a história de lutas para que fossem garantidos direitos como a livre manifestação de pensamento e o direito de ir e vir.
A greve na UNIR dura há dois meses e, de acordo com as redes sociais, não há perspectiva para que acabe este ano, visto que existe uma serie de denúncias envolvendo o Reitor e as negociações por decisões drásticas, que vem influenciar diretamente nas estruturas administrativas da Reitoria, derrubando o Reitor e o suposto esquema em que se envolvem ele, professores de departamentos e cursos favorecidos politicamente por ele e aliados dele.
A Ocupação na USP mostra hoje um reflexo de anos de governos tucanos, sendo administrada por uma política de intervenção direta do Governador: O Reitor da USP não tem sequer vencido a eleição que disputou para o cargo já mostra o descontentamento da comunidade uspiana e a incapacidade de gerência que se mostra na figura de Rodas e por conseguinte, do governo de SP.
Ambas as instituições têm sofrido graves violações de direitos humanos por parte das polícias (Federal em Rondônia e a PM em São Paulo) e ainda [pasmem!] por capangas e jagunços contratados com a finalidade de ameaçar e praticar a pistolagem. Pistoleiros em Rondônia e um convênio com a PM em São Paulo mostram a falta de tato para o debate com ambientes importantes à produção e diálogo com os conhecimentos na sociedade: as universidades.
Vir a público denunciar, apoiar e construir essas lutas é fundamental ao movimento estudantil. Encontrar momentos em que vemos um retrocesso. Caímos em um túnel do tempo, e que nos vemos vislumbrando ditaduras, com policiais e pistoleiros à procura de professores, estudantes e funcionários de universidades. Isso é um absurdo! Pelo fato de não aguentarem as condições em que trabalham e estudam, denunciar injustiças e exigir transparência do uso do dinheiro público e compromisso com a educação e com a sociedade? Digam onde está o crime!
O movimento estudantil brasileiro deve repudiar essas atitudes na UNIR e na USP e relembrar noss@s estudantes, mort@s para que alcançássemos a democracia em que vivemos. Relembrar para que não se esqueça, e para que jamais volte a acontecer. Todo apoio às manifestações da USP e da UNIR!

*João Jales é Diretor de Direitos Humanos da UNE e militante do Movimento Mudança.

A Luta é o Tempero do meu Samba!

Posted junho 7th, 2011 in Artigos, Movimento Estudantil by decko

Estamos a menos de um mês do 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes. Fazemos um balanço muito positivo da gestão que passou, em que conseguimos realizar debates e construções importantes para o movimento estudantil, para a UNE e para o Brasil. Realizamos o Iº Seminário de Assistência Estudantil da UNE, construímos a Jornada de Lutas de norte a sul do Brasil, exigindo 10% do PIB para a educação, dissemos “Fora Bolsonaro” em Brasília porque lutamos por uma sociedade livre de preconceito e opressão, participamos em peso do Conselho de Entidades de Base da UNE, fórum que só é realizado por pressão nossa em gestões passadas da UNE, e continuamos com muita vontade de construir um movimento estudantil cada vez mais participativo e democrático para fortalecer a UNE, que deve estar em contato constante com o dia-a-dia presente nas universidades.

Sabemos que o mundo hoje vive grandes transformações. O que era utopia no passado hoje se torna realidade na vida de inúmeros brasileiros e brasileiras. A economia capitalista antes dita tão sólida sofreu abalos, demonstrando que quem antes dizia ter a solução para tudo, na verdade pouco sabe. Ninguém mais acha que o intelectual diplomado governa melhor que o operário. O amor venceu o ódio! Queriam esconder o pobre, esculachar o negro, difamar o índio e subjugar o operário! E a mulher, se dependesse deles, continuaria na frente do fogão.

Muita coisa avançou, mas queremos mais! Queremos o fim de todas as formas de opressão: na política, na economia, na educação, na história, na moda, na cultura, na arte, na ciência e no trabalho. Já chega de aceitar desejos dos conservadores como se fossem mandamentos sagrados. Desde a universidade, a cidade ao país: queremos ser parte de tudo, porque o mundo é melhor quando todas as pessoas participam dele.

Queremos que o brilho dos olhos seja mais importante que a cor da pele, que a roupa que veste, que o formato do corpo, que o título acadêmico e que a forma de dançar! Queremos ver a universidade tomada pelo colorido do povo brasileiro, com todo o conhecimento em suas mãos para fazer melhor pela humanidade. Queremos que o samba invada os palácios, e anuncie com alegria, o fim desse velho mundo de preconceitos!

E foi esse o caminho, que nós decidimos construir: o da solidariedade, da liberdade e da luta. Somos o maior exemplo de alegria, solidariedade e de determinação: somos do Movimento Mudança e não podemos vacilar. Precisamos nos dedicar ao máximo nesses últimos dias que serão decisivos para os próximos dois anos da UNE! Precisamos estar juntos e unidos, porque não queremos esperar mais dois anos para voltar ao centro político do Movimento Estudantil. Esse é o momento fazermos a hora e não esperarmos acontecer, vamos levar aos estudantes um só grito: “A Luta é o Tempero do meu Samba”!

Camila Moreno e Camilo Vanni são militantes do Movimento Estudantil e membros da Direção Nacional do Movimento Mudança.

Um breve relato sobre a história, o Brasil, os Movimentos Sociais e alguns desafios do Movimento Estudantil.

Posted maio 11th, 2011 in Artigos, Educação, Movimento Estudantil by decko

A história dos Movimentos Sociais no Brasil, inclusive o Movimento Estudantil, é marcada pelos grandes embates feitos aos governos autoritários, sobretudo na luta pela liberdade e democracia. A década de 70 e boa parte da década de 80 servem para todos nós como inspiração no que diz respeito à ideologia que movia mentes e corações. Entender o significado dos movimentos sociais na história do Brasil, na consolidação da democracia e na garantia de várias das liberdades que gozamos hoje é preceito fundamental para compreender os efeitos e sintomas que vive o movimento nos dias de hoje.

Essa movimentação pró-liberdades individuais e coletivas que teve uma característica de resistência fez com que fossemos todos forjados nas lutas antissistemas que se organizavam a partir dos imperativos negativos aos governos que se sucediam.

O Brasil dos anos 90, auge do Neoliberalismo, influenciado diretamente pela dupla dinâmica Ronald Reagan e Margareth Thatcher foi berço das lutas contra os governos FHC, os desmandos do senhor Paulo Renato na educação brasileira, do sucateamento de todos os aparelhos estatais, das privatarias, do desrespeito aos trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e de todos os traços básicos de um governo que não dialogava com os movimentos sociais, pois estava ao lado das elites brasileiras e internacionais em nome do capital privado, sem levar em consideração o povo que vivia a margem da “democracia” então vivida.

O Movimento Social começa a viver um paradoxo de difícil compreensão: A luta de algumas décadas em nome da democracia e quando ela chega, os governos “democraticamente” eleitos não são governos que tem em seu DNA a classe trabalhadora, a integração latino americana e as minorias organizadas ou não. Ora, passamos tanto tempo lutando contra a ditadura e quando alcançamos a democracia o povo não está na pauta do dia!  Não precisaria nenhum exercício de numerologia para saber que necessariamente o movimento se organizaria mais para que não houvesse nenhum tipo de retrocesso, pois apesar dos pesares, todas as analises eram consensuais sobre os avanços de se lutar num regime democrático e os avanços que o movimento conquistara.

A luta dos(as) trabalhadores(as) no grande período de massas que houve no Brasil, fez com que os movimentos avançassem e se organizassem no acúmulo de suas pautas e nas vitorias que a luta ia impondo ao capitalismo.

Em 2002 o produto de toda essa equação da luta dos trabalhadores durante tantos anos é a vitória do primeiro trabalhador operário a Presidência da República. Luiz Inácio LULA da Silva, após décadas nos movimentos sociais organizados, chega ao mais alto posto do executivo brasileiro em um processo eleitoral sangrento, disputado até o último voto.

Com todas as suas limitações, o Governo LULA foi comparativamente o melhor governo que os movimentos sociais presenciaram em toda história do Brasil, sobretudo na negociação com os e no encaminhamento de suas pautas.

Talvez a característica que defina melhor o Governo Lula do ponto de vista dos movimentos sociais seja a constante disputa que ele viveu durante os oito anos de seu mandato. Essa disputa foi nítida, com um fator agravante que era a coalisão que compunha o Governo Lula, diversos partidos de orientações ideológicas diferentes disputando um rumo para o Brasil. De um lado o Governo era disputado pelo poder econômico, pelo poder político no judiciário, no executivo e legislativo, pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e todas as ferramentas que o centro clandestino que transita entre o poder no Brasil possui. Do outro lado os movimentos sociais, que disputaram o governo a partir das ruas reivindicando suas pautas e suas reformas democráticas e populares.

É preciso afirmar que o movimento social sofre uma drástica queda a partir do Governo Lula, mas é preciso analisar o processo todo para não correr o risco de elencar culpados sem antes saber das causas e reflexos deste processo.  O Governo Lula é resultado da enorme onda da luta de massas organizada pelos movimentos sociais no Brasil, enquanto a onda avançou, o movimento social se organizou, pautou política e conseguiu fazer grandes mobilizações no Brasil. Com a vitória de Lula, os movimentos sociais no Brasil passam se organizar a partir de pautas afirmativas, pois era um novo momento na democracia brasileira.

A partir desse giro na movimentação política dos movimentos sociais e do giro de vários companheiros que assumem pautas estratégicas no Governo, ocorre um novo momento para os movimentos sociais organizados. Antes, mesmo com grandes mobilizações em que milhares de trabalhadores iam às ruas, o Governo não recebia o movimento, não estava no mesmo patamar de diálogo e tratava as mobilizações com o aparelho repressor do Estado. A partir do Governo Lula, os movimentos não só estabelecem um novo nível de diálogo, como também veem suas pautas sendo encaminhadas pelo Governo Federal.

Um movimento revolucionário normalmente vem de condições adversas, pois dos piores períodos é que nasce as grandes mobilizações, fruto da angústia e da falta de condições básicas para o povo sobreviver. Em Cuba, Fidel organizou-se contra o ditador Fulgêncio Batista, na URSS Lênin se organiza contra o Czarismo, o Vietnã há uma organização contra o Governo que deixava o povo à fome, os Sandinistas contra a ditadura na Nicarágua e vários outros processos reafirmam que os movimentos revolucionários de ruptura com o unilateral com o Estado Capitalista, a priori, vêm de períodos de extrema dificuldade do povo. Dizer isso não é o mesmo que dizer que o povo apenas se organiza quando lhe é imposto um momento de duras necessidades, mas compreender que o movimento tem dinâmicas cíclicas que são orientadas pela conjuntura política de seu país. Vivemos longe de uma Sociedade Socialista que não traga em seu âmago disparidades econômicas e que respeite a democracia, o meio ambiente, os negros, as negras, as mulheres, as LGBTT, o movimento estudantil e que cumpra todos os outros critérios da sociedade que acreditamos ser ideal, mas ao mesmo tempo, entendemos a transição do modelo neoliberal imperialista para o modelo da Democracia Popular Participativa e de integração latino-americana como um período de grande avanço na história do Brasil e isso sem dúvida é condição melhor do que as vividas no Brasil que ficou para trás.

Num período de transição positiva, onde o Brasil consegue aliar crescimento, democracia, participação popular e conseguir destaque mundial na política e na economia, o movimento social passa a agir de outra forma, qual seja de pautar o Governo a partir de mobilizações pontuais e da apresentação de propostas agora recebidas. Os grandes embates vêm dos momentos em que o diálogo é esvaziado, onde há diálogo, o embate não é a principal ferramenta.

Praticamente a mesma coalisão que elege e reelege Lula, coloca pela primeira vez na história do Brasil uma mulher trabalhadora na Presidência da República. Os desafios desse novo Governo do ponto de vista administrativos são diferentes, pois Dilma assume a herança de oito anos de governo Lula, que sem dúvida foram muito melhores do que os oito anos de governo FHC, mas para os Movimentos Sociais, as tarefas são as mesmas: Disputar o Governo através das ruas com toda autonomia que o movimento social precisa para pautar suas lutas, avançar nas pautas e nas reformas democráticas e populares, garantir que não haja nenhum retrocesso e estabelecer uma plataforma máxima de avanços para o Brasil.

No movimento estudantil não é diferente, avançamos muito nas conquistas no último período, mas não chegamos nem perto dos nossos objetivos de universalizar o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, além de garantir condições de permanências à tod@s  @s estudantes nas Instituições de Ensino Superior do Brasil.

Para isso é necessário que o Movimento Estudantil se fortaleça. Precisamos que nossas entidades Estaduais de Representação (UEE’s) e principalmente a UNE (União Nacional dos Estudantes) se consolidem cada vez mais como o grande palco do debate sobre educação no Brasil. São essas entidades que irão dar capilaridade para todas as lutas dos Estados e do país, por isso é preciso entender o caráter estratégico de fortalecê-las. Qualquer tentativa de rompimento com a UNE significa fortalecer os setores divisionistas e/ou conservadores da sociedade.

Fortalecer a UNE é uma tarefa de todo movimento estudantil brasileiro, por isso ela precisa ter legitimidade perante toda comunidade estudantil, isso nós só vamos conseguir quando a UNE estiver presente em todas as universidades. Mas em todas as universidades? Sim. Ter a UNE presente na sua instituição de ensino significa ter o CA/DA do seu curso organizado, um DCE verdadeiramente representativo e compromissado com os estudantes.

Enquanto as entidades da base não fizerem de fato parte do dia-a-dia dos(as) estudantes não teremos nem as UEE’s muito menos as UNE com propriedade para falar em nome dos estudantes de todo Brasil. Construir Centros Acadêmicos e Diretórios Acadêmicos é fundamental para o fortalecimento da UNE.

O modelo organizacional da UNE ainda apresenta algumas arestas que precisamos sanar. Uma delas é fortalecer cada vez mais os Congressos Nacionais de Entidades de Base (CONEB’s) e os Congressos Nacionais de Entidades Gerais (CONEG’s). São esses fóruns que trazem o acúmulo das lutas travadas em cada Instituição de Ensino Superior. Ademais, esses fóruns deliberam toda a política da entidade e por isso as decisões que são deliberadas nestes congressos, precisam ser respeitadas e implementadas na vida real da entidade. Os fóruns precisam ser respeitados em sua gênese, pois o movimento estudantil é feito em cada CA e em todos os DCE’s, se a luta não é organizada a partir do embrião organizacional, provavelmente ela não será respeitada nos demais espaços.  Garantir espaços com debates mais qualificados e comprometidos com o movimento estudantil, sobretudo respeitando cada deliberação e cada encaminhamento é uma das tarefas fundamentais do movimento estudantil.

Precisamos rever o modelo das plenárias finais e dos grupos de discussão. Discutir nos grupos e não ter uma sistematização de cada discussão é um desrespeito com os estudantes, a discussão é importante, mas a síntese das idéias é mais ainda. Parafraseando Marx: “De que valem as boas ideias sem boas pessoas que as coloquem em prática?”.

Cada vez mais é importante fortalecer nossas entidades. Práticas como organizar debates, passar em sala de aula, organizar eventos são fundamentais para que os estudantes identifiquem essas organizações como seus verdadeiros representantes!

Entre as dificuldades organizacionais a serem sanadas está o modelo do Congresso da UNE, este deve ter como papel central formular a política da gestão. Fazer o congresso para eleger a diretoria é esvaziar o debate político e priorizar os acordos entre as direções. Acreditamos que a partir do momento que os estudantes elegerem com voto direto em cada universidade eles se sentirão cada vez mais parte da UNE.  Inclusive a dinâmica das eleições diretas é muito mais simples: quando o estudante for eleger o delegado ele já vota na chapa da diretoria da UNE. Ora, se o delegado já é convencido por uma tese no processo de tiragem de delegados, necessariamente ele é convencido a caminhar politicamente com uma chapa e se essas afirmações estão corretas, submeter o voto do delegado para outro processo eleitoral é subverter o caráter democrático do processo, pois remete a outro momento o debate que está sendo feito na base do movimento estudantil, no berço de toda discussão, na sala de aula e no dia a dia da luta real.

Entender a história do Brasil, onde nos encaixamos individualmente e onde estamos coletivamente é um exercício complexo, como também é complexo o movimento de caminhar sempre em frente.

Permanecemos Mudança em Movimento, da história, das mentes e dos corações.

*Camilo Vanni é da Direção Nacional do Movimento Mudança e Secretário Geral da União Paranaense dos Estudantes (UPE)

**Vinícius Lima é do Movimento de Ação e Identidade Socialista – Partido dos Trabalhadores

O casamento real e a submissão da mulher

Posted abril 30th, 2011 in Artigos by lucasmolinari

Não se fala em outra coisa, o casamento real é o assunto do momento. A mídia faz a cobertura completa: analisa cada detalhe das roupas, da maquiagem, das jóias, da comida, dos custos, dos convidados. Já sabemos como os noivos se conheceram na universidade, de como ele a pediu em casamento e da multidão que se aglomera para ver o príncipe de sangue azul casando-se com a plebéia.

A monarquia britânica vive da tradição, de uma imagem. Já que politicamente, ela pouco influencia na vida da população. Talvez na economia, já que boa parte dos gastos públicos da Inglaterra são destinados ao sustento da pompa e do luxo, da família de sangue azul, que para comandar um país basta: nascer. Seria revoltante, se não tivessem acabado de divulgar uma pesquisa apontando apenas 13% de descontentamento dos súditos britânicos com o regime. (Sim, na Inglaterra não existem cidadãos, existem súditos da família real).

Tentam a cada momento vender a idéia de que Kate, terá o sonho de todas as mulheres, realizado: casar-se com um príncipe, viver um Conto de Fadas digno de Walt Disney. Tanto é, que o foco principal de toda a cobertura midiática sobre o casamento real é na noiva. O seu vestido, o seu passado, a sua maquiagem e até, a sua virgindade, afinal, antes de ser a plebéia que entrará para a família real, ela é mulher. Mulher que será colocada a prova a cada segundo, que terá que seguir os padrões impostos ao posto de princesa o tempo todo. É de chocar qualquer pessoa ler a notícia de que Kate é a primeira princesa que não será obrigada a passar pelo teste da virgindade antes do casamento! E isso ser tratado como uma novidade, como se o natural, fosse ela se submeter ao teste de pureza, ao teste do lacre não violado.

O casamento real é sim um símbolo, de submissão da mulher nos dias de hoje. Da mulher que é obrigada a se encaixar em um padrão, que deve ser modelo de comportamento, que depende de um homem e de um casamento, para ser plenamente feliz e realizada, que deve ser pura e gerar descendentes para a família real: homens, de preferência. Que não sirva de exemplo para uma sociedade que deve ainda trilhar um longo caminho de combate ao machismo.

Camila Moreno – Militante do Movimento Mudança

Construindo meios para preservar o ambiente

Posted abril 14th, 2011 in Artigos, Meio Ambiente, Movimento Estudantil by decko

O debate acerca de meio ambiente sob a perspectiva dos estudantes brasileiros não pode mais nortear-se sob o romantismo de uma preservação dissociada da  realidade social em que vivemos devemos elucidá-lo tendo como norte a interligação que o tema tem com a luta de classe e com o projeto de desenvolvimento da nação, temas como o pré-sal a soberania amazônica as mudanças do código florestal e as implicações que as conferencias internacionais tem sob a vida da população, devem estar no centro dos debates do movimento estudantil.

O pré-sal não pode ser tratado pelo movimento estudantil somente sob a perspectiva econômica e os dividendos que podem ser gerados e que devem ter parte  direcionado para educação, mas deve ser debatido sob o prisma de um olhar socioambiental pontuando-se a importância de se buscar novas fontes de energia alternativa, a ampliação dos investimentos em tecnologias limpas e o jogo de interesse vigente na manutenção de combustíveis fosseis como principal energia motora da sociedade.

A Amazônia maior reduto de florestas do globo deve receber uma atenção especial nos debates; a educação deve ser uma ferramenta para que a preservação  dessa floresta valorize não somente os recursos dos quais ela dispõem, mas também a diversidade de culturas e saberes que das populações que a habitam. A  luta pela soberania brasileira e da America do Sul sobre essa floresta deve ser encampada por cada estudante em um movimento de afirmação da importância estratégica dessa floresta para a manutenção de um ambiente socialmente justo.

Ações como a mudança do código florestal, sem o amplo debate com a sociedade devem ser tomadas como arbitrariedades, assuntos que colocam em jogo todo  o eco-sistema brasileiro devem ser tratados não somente no âmbito do Estado, mas devem ser colocados a prova em debates com a sociedade em amplos  processos de consulta.Conferencias como a ECO-92 que colocou em pauta a sustentabilidade como alternativa para o desenvolvimento do planeta, e que trouxe a tona questões como as mudanças climáticas e a necessidade de adoção de medidas de contenção na emissão de carbono, tiveram pouco o nenhum efeito efetivo, fato observado através de resultados dessas conferencia como o tratado de Kioto que tinha como foco inicial as emissões oriundas de fabricas e da queima de combustíveis fosseis não assinado pelos maiores poluidores e o de Copenhague que tentou transferir a responsabilidade de manutenção de um planeta sustentável para as florestas tropicais, mostrando o claro falseamento da realidade na busca de responsabiliza os países ditos “subdesenvolvidos” pela conta dos ditos “desenvolvidos”. Perspectivas como essa devem ser apresentadas de forma clara para os estudantes que devem compreender que a defesa das florestas deve ser feita interligada com a luta dos trabalhadores.

Para as organizações e estudantes que discutem a causa ambiental uma das maiores conquistas do ENCONTR NACIONAL DE GRÊMIOS, foi os  encaminhamentos dado pelo grupo de trabalho (GT) de meio-ambiente, que propôs a realização do I Encontro nacional de Meio-Ambiente da UBES, acreditando que o mesmo deve deliberar diretamente na política da entidade colocando assim a UBES no papel de protagonista na luta por uma educação ambiental transversal e sólida que forme pessoas e um mundo mais limpo e sustentável, o grupo também citou a importância da retomada das discussões sobre a luta contra a internacionalização da Amazônia com a campanha AMAZÔNIA É NOSSA, entendemos que a luta pelo meio-ambiente vai além das salas de aulas,invade as ruas das grandes metrópoles e chega até as aldeias indígenas mais longínquas do país! Acreditando em uma construção de uma plataforma de discussão política consolidada no movimento estudantil no que tange ao meio-ambiente, estudantes de todo o Brasil depositam as suas idéias e confiança na união brasileira dos estudantes secundaristas (UBES) para que possamos fazer do movimento estudantil um movimento que tenha em sua essência uma visão especial e responsável no que tange a causa ambiental. Hoje estudantes de todo o Brasil aguardam ansiosamente pelo 1 encontro nacional de meio-ambiente da UBES, que será realizado entres os dias 17 e 19 de junho na cidade de Manaus-AM, um momento histórico para UBES e contamos com a mobilização dos estudantes de todo o Brasil.

Viva a UBES, Viva a Amazônia!

Lara de Oliveira Cúrcio
Diretora de Meio Ambiente da UBES

Cesário Campelo
Comitê Chico Mendes

Marcella Lopes Berte
Rejuma-SP
Direção nacional da JPT

Weverton Matias
1º Tesoureiro da UBES

Cáca
Direção estadual do movimento da juventude trabalhista – RS

Artigo – Dr Rosinha: A visita de Obama e o oba-oba (abobado) da velha mídia

Posted março 21st, 2011 in Artigos by lucasmolinari

A mídia brasileira tem tratado a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como um megaevento. A reação talvez seja similar a da primeira visita do Papa ao Brasil. Não existem outras pautas. Criam-se vinhetas televisivas e coberturas especiais. Parece que a encarnação viva de Deus passará por aqui no fim de semana.
Para além do mero provincianismo, a velha mídia é motivada pelo desejo de atacar a política externa do governo Lula, que estaria supostamente prestes a ser alterada pelo governo Dilma.
Conforme o desinformado desejo, a política externa do governo Lula teria apostado no “terceiromundismo” e no “antiamericanismo”, comprometendo antigas “boas relações” com os EUA. Agora, caberia a Dilma “corrigir” o desvio e reconduzir a política externa a seu paradigma histórico.
A visita de Obama representaria, assim, uma espécie de redenção do Brasil, que voltaria a ocupar seu lugar secundário na história. Daí a cobertura deslumbrada. Daí esse verdadeiro “oba-oba” abobado da velha mídia.
Mas, afora todo esse delírio ideológico, o que esperar dessa visita?
Na realidade, pouco. Em primeiro lugar, não ocorrerá uma correção de rumos significativa nas relações bilaterais, até mesmo porque tal correção, do ponto de vista dos interesses brasileiros, não é necessária. Não houve “desvios ideológicos”. Portanto, não há necessidade de correções substanciais, embora sempre haja espaço para aprimoramentos.
A bem da verdade, foi a recente política externa que elevou substancialmente o patamar do Brasil no cenário mundial. Por isso mesmo, o próprio embaixador norte-americano no Brasil reconhece que a nossa nação “não é mais um país emergente, mas sim um país que já emergiu”.  É justamente esse novo patamar que motiva a visita de Obama.
Para um presidente com popularidade em baixa e muito abalado politicamente depois da grande derrota nas últimas eleições legislativas dos EUA, a visita ao Brasil representa uma oportunidade para mostrar algum prestígio internacional a seu público interno.
Além disso, a recuperação da economia dos EUA tem se revelado lenta. Os EUA precisam desesperadamente reduzir seu déficit comercial com o mundo e seu desemprego interno. O Brasil, uma economia em ascensão –a sétima do mundo–, representa amplas oportunidades para os norte-americanos. Eles estão muito interessados no pré-sal, ainda mais agora, quando as ditaduras pró-ocidentais do Oriente Médio estão ruindo. Também há interesse na participação da construção da infraestrutura brasileira, inclusive aquelas relativas às Olimpíadas e à Copa do Mundo.
Para o Brasil, a visita possibilita a superação de algum mal-estar recente na relação bilateral, embora as posições fundamentais devam continuar as mesmas, inclusive no que se refere às divergências referentes ao Iraque e ao Irã.  Ademais, tais visitas sempre podem possibilitar maior comércio e mais investimentos.
Não de deve esperar muito, no entanto. A expectativa é de que seja assinado um acordo para simplificar as trocas comerciais e evitar barreiras técnicas e administrativas ao fluxo comercial. Isso implicaria o reconhecimento mútuo dos certificados emitidos pelo Inmetro e pelo órgão norte-americano correspondente da área. As divergências e as imensas barreiras tarifárias e não-tarifárias relativas ao protecionismo agrícola, antidumping, picos tarifários e quotas, que afetam boa parte das nossas exportações para os EUA (aço, suco de laranja, etanol, carnes, frutas, algodão, soja e derivados, etc.), continuarão a vigorar, impedindo uma ampliação significativa do comércio bilateral.
Saliente-se que os EUA perderam muita importância comercial e econômica para o Brasil. Em 2002, os EUA absorviam cerca de 24% das nossas exportações. Em 2010, essa participação caiu para 9,6%. Hoje, China, América Latina e União Europeia são mais relevantes para nós.
Do ponto de vista político-diplomático, existe a possibilidade de que Obama anuncie seu apoio à pretensão brasileira a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, como fez com a Índia no ano passado. Embora simpático e importante, um eventual apoio não geraria nenhum efeito imediato, já que a mudança da estrutura do conselho, que reflete arcaicamente o mundo pós-Segunda Guerra Mundial, ainda não está na pauta atual das Nações Unidas.
Deverão também ser assinados acordos nas áreas de energias renováveis, aviação civil, espacial e de combate à discriminação de raça e gênero. São acordos relevantes, mas que não mudam a natureza das relações bilaterais, como quer dar a entender a velha mídia.
O Brasil vem se tornando um grande país graças, em boa parte, a uma política externa ousada e criativa, que diversificou parcerias estratégicas, diminuiu nossa dependência em relação a parceiros tradicionais, abriu espaços para nossas exportações e investiu na integração regional e na cooperação Sul-Sul. Foi exatamente essa política externa independente que nos tornou importantes no cenário mundial, inclusive para os EUA. Quaisquer retrocessos nessa política poderiam redundar na fragilização do nosso protagonismo internacional.
Os EUA são um país de grande peso internacional, e o aprimoramento da nossa relação bilateral é sempre bem–vindo. Esse aprimoramento jamais deveria implicar no abandono de nossas justas posições e do nosso rumo próprio, no contexto das nações. Países que investiram numa relação de dependência dos EUA, como o México, por exemplo, hoje pagam um alto preço econômico e político pela decisão equivocada.
É do interesse nacional do Brasil manter uma política externa exitosa. O aprimoramento das relações Brasil-EUA, sempre conveniente, deve se balizar pelas diretrizes dessa política, e não pelo desejo ideológico de setores conservadores, que ainda não entenderam o que aconteceu no Brasil e no mundo.
Não nos deslumbremos, portanto, com essa pirotecnia ideológica da velha mídia, até mesmo porque, espetáculo por espetáculo, certamente os shows da Shakira terão maior sucesso.
*Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e ex-presidente do Parlamento do Mercosul.

Nota da CMS sobre a vinda de Obama

Posted março 19th, 2011 in Artigos, Movimentos Sociais by decko

É muita guerra para quem diz promover a paz

Os Movimentos Sociais do Brasil, por ocasião da visita do presidente Obama ao Brasil, manifestam as seguintes preocupações:

Considerando que: A eleição de Barack Obama, em 2008, despertou muitas ilusões. Baseado em seu carisma pessoal, na eleição do primeiro negro presidente dos EUA, na rejeição aos republicanos que durante os dois mandatos de George W. Bush levaram os Estados Unidos à bancarrota e o mundo ao militarismo e às guerras de agressão.

Consideramos que: Obama foi eleito fazendo promessas de paz e respeito ao direito internacional, criando a ilusão de que a humanidade viveria em paz e harmonia.

A evolução dos acontecimentos, porém, encarregou-se de desfazer essas ilusões. Mudou a retórica, aperfeiçoou-se a propaganda, mudaram alguns atores, mas sob a direção de Barack Obama a política externa do imperialismo norte-americano continua em essência a mesma.

O atual mandatário dos Estados Unidos mantém a orientação belicista de ocupar países e agredir povos em nome da “luta ao terrorismo”.

Sob a presidência de Barack Obama, os Estados Unidos mantiveram a presença das tropas de ocupação no Iraque e no Afeganistão. Sua frota de aviões teleguiados “Drone” bombardeia diariamente a fronteira deste país com o Paquistão, acarretando a morte de civis.

O imperialismo estadunidense, sob a presidência de Barack Obama reafirmou o apoio à política genocida do Estado sionista israelense contra o povo palestino. Significativamente, a única vez em que o governo Obama utilizou até agora seu direito de veto no Conselho de segurança da ONU, foi para impedir a aprovação de uma resolução que interditaria o prosseguimento da instalação de colônias israelenses em território palestino.

Foi sob a liderança de Barack Obama que a principal organização agressiva do imperialismo, a Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte – realizou uma reunião de cúpula que consagrou o “novo conceito estratégico”, a partir do qual se arroga o direito de intervir militarmente em qualquer região do planeta. É também Obama que estimula a instalação de bases militares em todo o mundo, inclusive na América Latina, onde a 4ª Frota constitui grave ameaça de agressão aos países e povos soberanos da região.

Durante a gestão de Barack Obama que, reafirmando a primazia norte-americana quanto à posse e uso de armas nucleares, exerce chantagens, pressões, ameaças e sanções contra os países que não aceitam os ditames dos EUA sobre a não-proliferação. Em dois anos de gestão, a maior parte do tempo dos operadores de política externa do presidente foi empregada na reparação de agressões contra o Irã e a Coreia do Norte.

Reiteramos nossa total divergência com a dubiedade da política externa dos EUA que mantém símbolos da guerra-fria como a manutenção do bloqueio a Cuba, as provocações contra a Venezuela e a Bolívia, a manutenção da prisão de Guantanamo e a presença de bases militares estadunidenses em nosso continente, que em nada contribui para o desenvolvimento de uma nova relação externa entre os povos. Os Estados Unidos nunca abriram mão de dominar nossos países e continuam considerando nosso continente como sua área de influência.

Obama chega ao Brasil num momento em que os Estados Unidos e seus aliados, principalmente os europeus, preparam-se, sob falsos pretextos, para perpetrar novas intervenções militares. Agora, no norte da África, onde, com vistas a assegurar o domínio sobre o petróleo, adota a opção militar como a estratégia principal. Os Estados Unidos querem arrastar as Nações Unidas para sua aventura, numa jogada em que pretende na verdade instrumentalizar a organização mundial e dar ares de multilateralismo à sua ação militarista e imperial.

No mesmo 20 de março, dia em que Obama estará visitando o Brasil, acontecerão manifestações em todo o mundo convocadas pela Assembléia Mundial dos Movimentos Sociais realizada durante o Fórum Social Mundial de Dacar, Senegal. O dia de mobilização global foi convocado para afirmar a “defesa da democracia, o apoio e a solidariedade ativa aos povos da Tunísia e do Egito e do mundo árabe que estão iluminando o caminho para outro mundo, livre da opressão e exploração”. O 20 de março será um Dia Mundial de Luta contra a multiplicação das bases militares dos Estados Unidos, de solidariedade com o povo árabe e africano, e também de apoio à resistência palestina e saharauí.

É nesse contexto que a Coordenação dos Movimentos Sociais convoca os movimentos sociais de todo o Brasil a manifestar nossa divergência com a política dos EUA e nossa total solidariedade aos povos do mundo, nas lutas de resistência e construção de outro mundo possível.

Convocamos os movimentos sociais brasileiros a tomarem as ruas na ação que será organizada no Rio de Janeiro no dia 20 de março.

O Brasil e a América latina vivem um novo momento, de democracia, soberania, interação e unidade.

Queremos um mundo de paz e solidariedade!

Abaixo o imperialismo estadunidense!

Coordenação dos Movimentos Sociais

“O espetáculo do homem já está cansando”

Posted março 14th, 2011 in Artigos by lucasmolinari
Lucas Molinari
Antigamente gladiadores lutavam em arenas e só saiam quando um estivesse morto. Toda a população aplaudia o espatáculo, viam animais extraçalhando homens e vibravam pela violência. Naquela época isto era considerado normal e todos aceitavam o que estava diante de seus olhos. O pensamento predominante fez com que encaremos tudo que vivemos com certa naturalidade.

Jesus Cristo um grande profeta,reconhecido por espalhar amor, paz e por provar a existência de Deus foi morto e na época muitos ainda comemoraram. Gandhi, Martin Luther king, Chico Mendes, Che Guevera, entre outros, fazem parte de uma lista de pessoas que foram mortos por que lutaram para melhorar vidas. Mas poucos reconheciam a legitimidade do que estes estavam fazendo na época de sua luta, uma força maior sempre soava contra  aqueles que foram atrás de um mundo melhor.

Nitzche em seu livro “a genealogia da moral” descreve a origem do bom e mau. Segundo ele quando a sociedade era separada por castas e status social, (não muito diferente da forma que vivemos hoje) os nobres que tinham o pensamento pedrominante perante sua cultura, eram chamados de bons e os plebeus, que eram os oprimidos eram denominados de maus. Juntando com o pensamento de Marx onde diza que o pensamento cultural de uma nação é consequência do pensamento da ideologia de um poder dominante. Isto se reflete até os dias de hoje, principalmente com a expansão dos meios de comunicação.

O que foi feito antigamente nós reconhecemos como algo sendo brutal de mais para a vida humana. E hoje? Finalmente encontramos a paz? Será que existem coisas que hoje aceitamos como normais e que no futuro alguém verá como sendo brutal? Como Nitzche disse em seu livro “o espetáculo do homem já está cansando.” A guerra é sempre contra nós mesmos.

Vivemos condicionados a um pensamento do certo e errado, do bom e do mau. Porém quem define o que é bom para sociedade são aqueles que dominam a cultura através do poder que tem, como na política, religião e principalmente na mídia.

Assistimos o carnaval feitos idiotas, comemoramos a morte, a indecência, imoralidade como sendo tudo normal. Mulheres semi nuas desfilando seus corpos como se estivessem em um leilão público. Por que acontece isto? É reflexo de um pensamento machista, que vê no corpo feminino um objeto de lucro, tanto que a  indústria pornográfica lucra bilhões por ano. O consumo de bebida álcoolica triplica, todos ficam bêbados, alucinados e destruindo sua vidas. Isto também é um comércio bilionário. O mais engraçado é que não é uma mensagem subliminar, está na nossa cara, todo mundo enxerga e aceita. Por que? Por que isto é normal! Quem me dera se isto tudo só acontecesse no carnaval.

Existem diversas pessoas espalhadas pelo mundo que reconhecem estas bestialidades e tentam todos os dias mostrar como é ruim o que esta acontecendo. Muitos religiosos são masacrados por quererem passar a palavra de Deus. Muitos militantes que lutam por uma justiça social são visto como terroristas. Como pode, alguém que queira melhorar a vida de muitos ser visto como uma pessoa ruim? Tudo isto tem um motivo, o pensamento predominante que rege todo nosso sistema faz as inversões de valores, o bom é ruim e o ruim é bom. Mas a culpa é nossa, aceitamos tudo como se fosse normal, assim como as batalhas dos gladiadores.
Hoje estamos presos contra o tempo é tanta informação e tantas coisas que a globalização nos permitiu fazer ao mesmo tempo, que se perdemos no tempo.

Aristóteles dizia que temos que ter “uma vida dedicada a admirar algo com o pensamento”. É isso que venho pedir a todos vocês, um tempo para parar e refletir o momento que estamos vivendo e  as  ações de sua vida.

Fazemos as coisas por impulso, sem de fato separar o que é bom  ou ruim. Recebemos muitas informações e não paramos para pensar apenas aceitamos.

Cuidado com os meios de comunicação de massa, rede globo, record, veja, editora abril, entre outros. São estes o responsáveis por você aceitar tudo por impulso sem ao menos perceber o que esta fazendo.

Agora você vai se deparar com o seguinte fato: não aceitamos as coisas boas. Nós ignoramos as coisas ruins e criticamos as coisas boas, como pode?

Falar de Deus é uma ofensa, incomoda. Movimentos Sociais? Vixi, poucos se importam por suas causas. Por que somos contra ao que de fato quer melhorar nossas vidas? Por que somos tão resistentes?

Um pouco de Deus em seus corações e a busca por justiça dos movimentos sociais, seria o necessário para revermos todas as nossas ações.

“Ah mais o MST destruiu uma fazenda cheia de alimentos, passou com trator por cima e acabou com tudo” Fique quieto! Isto foi tudo uma armação feita para destruir o movimento. Dos 30 julgamentos da CPI do MST em todos, eles foram absolvidos por não ter prova o suficiente.

“Ah mais se Deus existe, por que ele deixa o mundo do jeito que está? Por que tanta guerra?”
Ei psiu. Quem está fazendo isto com o mundo somos nós homens e não Deus. Deus atende nossos pedidos se o glorificarmos, mas não pode fazer nada com as nossas ações se não estivermos com ele.

Só quero que nós, antes de consumir o que recebemos e fazermos o que estamos acostumados a fazer, paremos para pensar o que é bom ou ruim.

*Apenas um artigo de opinião.

*Lucas é militante do Movimento Mudança e estudante de Jornalismo da PUCPR