Cartaz com beijo gay causa demissão em faculdade de Minas Gerais

Posted maio 22nd, 2010 in Notícias, Política by thalitamartins

Um cartaz que serviria para divulgar um seminário sobre inclusão social se transformou em polêmica numa faculdade particular de Muriaé, em Minas Gerais, por ter uma ilustração de duas mulheres se beijando. O caso provocou o cancelamento do evento e a demissão da coordenadora do curso de Serviço Social da faculdade.

Segundo os alunos do curso de Serviço Social da Faculdade de Minas (Faminas) teria exigido a retirada da ilustração do cartaz, que convida para debates sobre desigualdades e preconceito no III Congresso de Políticas Públicas – VII Semana de Serviço Social. Traz, também, imagens de negros, índios e portadores de deficiência física. O cartaz é semelhante à ilustração da capa da agenda do Conselho Nacional de Serviço Social. – É um cartaz onde tem vários segmentos da sociedade brasileira que são excluídos. E a faculdade, mais que nunca, precisa contribuir para a defesa dos Direitos Humanos – disse o estudante de Serviço Social Vinicius Ventura. A faculdade imprimiu o material de divulgação sem as imagens. A direção da Faminas afirmou que a ex-coordenadora do curso de Serviço Social sugeriu um cartaz que não teria sido aceito por não respeitar regras de layout já previstas pela instituição. – A faculdade não tem nenhum preconceito. Nós apenas temos normas internas de divulgação e procuramos, dentro da parte interna de comunicação e de publicidade, estar divulgando aquilo que causasse impacto de leitura – afirmou o procurador da Faminas, Eduardo Goulart Gomes. A ex-coordenadora do curso de Serviço Social da Faminas disse que preferiu cancelar o evento. – Diante da recusa da instituição em autorizar a utilização dessa imagem, baseada no meu código de ética, nos princípios que constam no projeto ético-político que a profissão de Serviço Social tem, eu optei por cancelar o evento e informar aos alunos e aos palestrantes o motivo desse cancelamento – afirmou Viviane Pereira, ex-coordenadora do curso de Serviço Social da Faminas. A representante do Conselho Regional de Serviço Social em Minas disse que a decisão da ex-coordenadora da Faminas está respaldada. – Um dos nossos preceitos é a eliminação de toda forma de preconceito e o respeito à diversidade. Então ela (a ex-coordenadora) está respaldada pelo Código de Ética Profissional – afirmou a representante do Conselho Regional de Serviço Social Marina Castro O Movimento Gay de Minas Gerais estuda denunciar a universidade ao Ministério da Educação. – Apesar de permitir que o tema seja abordado intramuros, ela (a faculdade) não permite a associação da imagem à questão do combate à homofobia. Isso para nós é um contrassenso e nós vamos questionar isso – disse o presidente do Movimento Gay de Minas Gerais, Marco Trajano. Fonte: http://www.cedefes.org.br/index.php?p=direitos_detalhe&id_afro=2318

1º Pré-encontro em Pernambuco para o ENECOM 2010

Posted maio 20th, 2010 in Comunicação, Movimento Estudantil by thalitamartins

Pernambucanos e pernambucanas;

Avizinha-se mais um Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOM), a realizar-se na UFPB, campus João Pessoa. Durante o nosso processo de organização para mobilizar a maioria das escolas de comunicação social de PE (cerca de 13 escolas), conseguimos tirar algumas dúvidas, esclarecer etapas do processo de construção e mobilização do ENECOM 2010, mas acima de tudo, aglutinar ao máximo os/as estudantes de comunicação social que de fato se precupam e buscam a discussão coletiva como forma de sanar minimamente os problemas que nos preocupam não só enquanto comunicadores/as, mas também agentes ativos e protagonistas do meio em que vivemos.

Realizado anualmente pela Executiva Nacional dos/das Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), o ENECOM tem por objetivo não só reunir-se para o diálogo mútuo e troca de experiências entre os/as estudantes e os assuntos acadêmicos das diversas realidades das inúmeras escolas de comunicação país afora, mas também ampliar horizontes, propondo e dando norte, uma diretriz de atuação maior para a nossa mobilização e organização.

Este ano por exemplo, O PROCESSO DE CONSCIÊNCIA ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO POPULAR PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO, é o tema central do nosso encontro. Nada mais justo do que defender o debate e a luta que aproxima nossa intervenção enquanto classe (estudantes) e profissionais (comunicadores/as) das demandas da sociedade. Senão, para que e por que estamos aqui? Na Universidade, na construção diária de um novo pensamento para além dos muros do ambiente acadêmico, no processo coletivo de discussão e aplicação prática de nossas pesquisas para com a sociedade.

É nesta perspectiva que nos organizamos… para desorganizar. Desorganizar o modelo de sociedade que intrinsecamente deveria reconhecer a comunicação como direito humano, assim como a saúde e a educação, mas que ao invés disso a coloca como produto a serviço de poucos interesses particulares. A comunicação que criminaliza os movimentos sociais, em especial o Movimento Estudantil, que dá demasiado espaço às imagens, textos, conteúdos de cunho conservador, que em nada colaboram com o processo evolutivo que as camadas mais vulneráveis devem estar inseridas.

Sem delongas e sem adentrar mais num debate tão profundo em que muitos/as podem ainda estar apenas iniciando-se, a Executiva Nacional dos/das Estudantes de Comunicação Social vem convidar para o 1º pré-encontro pernambucano a realizar-se a partir das 14h da sexta-feira, 21/05, auditório do bloco B da Faculdade Maurício de Nassau. Comunicando melhor para organizar melhor, segue o endereço: rua Guilherme Pinto, 114, bairro das Graças, por trás do Quartel da Polícia Militar, próximo ao restaurante Portal do Derby, Recife-PE. Na ocasião apresentaremos a ENECOS, explaneremos mais sobre o ENECOM e apresentaremos o projeto político, sem esquecer que muitas dúvidas serão esclarecidas.

O que? 1º pré-encontro de Pernambuco para o ENECOM 2010 – Paraíba
Quando? 14h da sexta-feira, 21/05
Onde? Auditório do bloco B da Faculdade Maurício de Nassau / Recife – PE
 
Diretório Acadêmico de Comunicação Social da FMN
Todos Juntos Somos Fortes

Marcha da Maconha é neste domingo em São Paulo

Posted maio 20th, 2010 in Movimentos Sociais by thalitamartins

No dia 23 de maio acontece a Marcha da Maconha em São Paulo. O evento faz parte de uma grande manifestação que acontece em pelo menos outras dez cidades brasileiras e 300 ao redor do mundo ao longo do mês de maio, com o objetivo de levantar o debate por mudanças na lei de drogas e pela regulamentação do plantio, comércio e uso da cannabis em todo o território nacional, como alternativa à violência do crime e do Estado, e a intromissão deste sob condutas privadas dos cidadãos.
A Marcha já aconteceu nas cidades do Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba, e está prevista ainda para Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Natal e Salvador. Chico de Oliveira, Fábio Mesquita, Luiz Eduardo Soares, Marcelo Yuka, Maria Lucia Karam, Orlando Zaccone, Paulo Arantes, Paulo Teixeira, Plínio de Arruda Sampaio, Ricardo Antunes, Soninha Francine, Vera Malaguti, e Fernando Henrique Cardoso são algumas das pessoas que já se manifestaram a favor ou assinaram manifesto de apoio à realização da Marcha da Maconha. Defender sua realização vai muito além da defesa de outro modelo jurídico para o trato com psicoativos, garantir a realização da Marcha é garantir liberdade de expressão e manifestação previstas na Constituição. A Marcha está programada para domingo, dia 23 de maio, às 14h, na Marquise do Parque do Ibirapuera. Nos dois anos anteriores, o Ministério Público de São Paulo impediu a realização da Marcha, com liminares pedidas no dia anterior à realização do evento e prontamente acatadas pelo Tribunal de Justiça, cerceando o direito de defesa, o debate democrático e a liberdade de expressão. Os organizadores do evento esperam que essa péssima interpretação do artigo de apologia ao crime não seja novamente realizada, para que se façam valer premissas básicas do Estado de Direito.
Legitimidade
As manifestações da Marcha da Maconha não fazem apologia ao crime, tampouco ao tráfico ou ao uso de cannabis. A manifestação pública e pacífica é um direito garantido pela Constituição Federal. O Coletivo Marcha da Maconha não incentiva ou provoca infrações às leis vigentes no país. Em 2010, a organização espera contar com o apoio da Prefeitura de São Paulo, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Polícia Militar para garantir a segurança dos manifestantes. Na busca por estas garantias, foram enviados a estas instituições ofícios informando o evento e o caráter pacífico da manifestação. O Parque do Ibirapuera e a Secretaria do Meio Ambiente já deram sua autorização para a realização do evento.
A organização recomenda insistentemente a todos os manifestantes que, diante do caráter pacifico e político da Marcha da Maconha, não seja consumida cannabis. O uso estará sujeito à aplicação da lei pela autoridade presente.
Serviço:Marcha da Maconha São Paulo 2010Dia 23/05 – a partir das 14h na Marquise do Parque do Ibirapuera
Informações: (11) 6333-5505 saopaulo@marchadamaconha.org

Convocatória para a Assembléia dos Movimentos Sociais do Movimento Mudança

Posted maio 18th, 2010 in Movimento Estudantil by thalitamartins

“Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo” (Florestan Fernandes)

O Movimento Mudança sempre teve uma relação muito íntima com a luta dos povos e os movimentos sociais. Seja na defesa de uma extensão popular, que propicie um diálogo fraterno entre a Universidade e a Sociedade, seja participando ativamente da agenda dos movimentos sociais, na defesa das nossas riquezas e da soberania do nosso povo, sempre estivemos juntos, de mãos dadas por entendermos que essa luta não está dissociada da que enfrentamos na Universidade e educação do nosso país.
Vivemos um momento muito diferente de 08 anos atrás. O país teve grandes avanços, seja na área educacional, social, política ou econômica. Por outro lado, não conseguimos avançar em questões fundamentais para o desenvolvimento do nosso país: o contingente de analfabetos é muito grande, a porcentagem de jovens que tem acesso ao ensino superior é ainda muito pequena, a concentração de terra é uma das maiores do mundo, não conseguimos reestatizar algumas empresas fundamentais para a garantia da soberania do nosso país, como a Vale do Rio Doce e a Petrobrás, não conseguimos avançar num projeto de Reforma Política nem abrir os arquivos da ditadura militar.
O nosso papel, diante dessa conjuntura, é fortalecer a relação com os movimentos sociais e, junto com estes, criar uma agenda propositiva, de mobilização e de organização em torno de bandeiras de lutas, históricas e atuais, agregando mais pessoas e fortalecendo o poder popular!
Nesse sentido, a nossa participação na Coordenação dos Movimentos Sociais deve ser ativa! A CMS tem cumprido um papel muito importante na busca da unidade em torno da luta social e é através desta ferramenta que conseguiremos ter uma postura mais ousada em torno de temas relevantes para os próximos anos.
Durante o Fórum Social Temático, que ocorreu no começo deste ano na Bahia, os movimentos sociais lá reunidos convocaram uma Assembléia dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio, com o objetivo de criar uma plataforma unitária de bandeiras e calendários sociais. Abaixo está a carta e o calendário de mobilizações tirados pelo conjunto do movimento presentes no fórum.
Esta Assembléia está sendo antecedida pela realização de plenárias em cada Estado, que estão debatendo a carta para que no dia 31 possamos tirar uma plataforma construída por todos os Estados e dialogada na base. As plenárias que já foram realizadas ou que ainda irão se realizar são: Pará, Alagoas, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Distrito Federal, Goiás e Pernambuco.
É fundamental que procuremos os/as companheiros/as que já organizaram suas plenárias ou que ainda irão organizar para podermos ir para a Assembléia Nacional junto com eles/as. O evento ocorrerá em São Paulo, no Sindicato dos Bancários, na Rua Tabatinguera, 192, Sé. No último dia 30, foi aprovada uma programação e sistemática da atividade, que está logo abaixo também.
Convocamos nossa militância a se organizar desde já para se fazer presente neste fórum muito importante para os movimentos sociais. Além disso, nos dias que se sucederem à assembléia, pretendemos fazer uma reunião de organização nacional do nosso coletivo, portanto, desde já os Estados devem se mobilizar para conseguir uma passagem aérea ou terrestre de volta! Se nos organizarmos e tivermos compromisso com nosso coletivo, conseguiremos participar dessa atividade e realizar o nosso seminário de organização.
Estamos dialogando com a organização nacional da CMS para termos os contatos dos/as dirigentes nos Estados e conseguirmos uma carona nos ônibus para São Paulo. Mas também temos que nos mobilizar!

Saudações mudancistas e de luta!

ASSEMBLEIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS Salvador, 31 de janeiro de 2010.

10 ANOS DO FSM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL E NECESSÁRIO
Nós, militantes de diversas organizações dos movimentos sociais reunidos no FSMT de Salvador, realizamos a Assembleia dos Movimentos Sociais com o intuito de consolidar uma plataforma de bandeiras unitárias e calendário de lutas.
O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao capital financeiro. Ao longo desses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia e Quênia, e outros países, levando a esperança de um mundo novo.
Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a ideia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para a construção de uma nova conjuntura que valorize a integração e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011.
Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo os valores representados por esse sistema passam a ser questionados pela sociedade. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, que explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura é agora visto com ressalvas.
A crise financeira mundial é uma crise do sistema capitalista. Ela expôs as contradições intrínsecas a esse modelo e quebrou as certezas e a hegemonia do mercado como um deus regulador das relações comerciais e sociais. Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. Porém, sabemos que esse momento pelo qual passamos é de profundas adversidades para a classe trabalhadora de todo o mundo em função das crises financeira e climática em curso. A consequência das crises é o aumento da desigualdade e por esse motivo reafirmamos o nosso desafio com as lutas e com a solidariedade de classe.
Nosso continente, a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora. Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe contra Chávez em 2002, em Honduras em 2009, a tentativa de golpe contra Lula em 2005 ou mesmo a desestabilização de Fernando Lugo que está em curso no Paraguai.
Ao mesmo tempo, as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os monopólios de comunicação. Esses organismos funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Por isso ganham força os movimentos de cultura livre e as rádios e jornais comunitários que conseguem driblar o monopólio midiático.
O povo estadunidense elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças de superar a era Bush. Entretanto, mesmo com Obama o imperialismo continua sendo imperialismo. Os EUA crescem seu olho diante das grandes riquezas naturais do nosso continente, como a recente descoberta do Pré-sal. No mesmo momento em que os EUA reativam a quarta frota marítima também instalam mais bases militares na Colômbia e no Panamá , além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba.
Atentos a esses movimentos do imperialismo, os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial Temático em Salvador reafirmam seu compromisso com a luta por justiça social, democracia, soberania, pela integração solidária da América Latina e de todos os povos do mundo, pelo fortalecimento da integração dos povos, pela autodeterminação dos povos e contra todas as formas de opressão.
No Brasil, muitos avanços foram conquistados pelo povo durante os 7 anos do Governo Lula. O Estado foi fortalecido alcançando maior ritmo de desenvolvimento, a distribuição de renda e o progresso social avançaram com a valorização do salário mínimo e políticas sociais como o Bolsa Família, a integração solidária do continente foi estimulada. Porém, muito mais há para ser feito. As Reformas estruturais capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram realizadas e a grave desigualdade social perpetrada por mais de 5 séculos em nosso pais está longe de ser resolvida. Por isso, devemos lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate político que se aproxima.
Reafirmamos a luta contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos, o uso de agrotóxicos que gera a poluição dos rios e do ar. Seguiremos na luta contra o latifúndio e em defesa da biodiversidade e dos recursos naturais como forma de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas, da fauna e flora integradas com o homem.
Nos unimos no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. Lutamos por uma sociedade justa e igualitária, livre de qualquer forma de opressão, onde as mulheres tenham seus direitos respeitados e não sofram abusos e violências, os negros não sofram preconceito e saiam da condição histórica de pobreza que lhes é reservada desde os tempos da escravidão, os homossexuais tenham acesso a direitos civis e não sofram discriminação.
Sabemos que essas conquistas virão da luta do povo organizado. Por isso, convocamos todos os militantes a fazer um grande mutirão de debates envolvendo estados, municípios e segmentos sociais no intuito de construir um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição de renda para o Brasil. Só assim seremos capazes de aprofundar as mudanças que estamos construindo e derrotar a direita conservadora e reacionária do nosso país nas eleições que se avizinham.
Esse grito que expressa nosso anseio liberdade e mais direitos não poderia ser dado em lugar melhor. Estamos na Bahia, terra de todos os santos e de bravos lutadores, valorosos intelectuais e líricos poetas e artistas como a banda tambores das raças que abriu a Assembleia entoando versos que afirmam que:
Zumbi não morreu, está presente entre nós. Palmares referência que sustenta nossa voz. Liberdade, igualdade, revolta dos búzios, levante malês, herança ancestral que alimenta a união é a força pra vencer!
De Salvador conclamamos o povo brasileiro a lutar por um Brasil livre, independente, democrático e justo socialmente.
Para isso, o conjunto dos movimentos sociais brasileiros convoca a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta:

SOBERANIA NACIONAL
Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro;
Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe;
Defesa da autodeterminação dos povos;
Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque;
Pela criação do Estado Palestino;
Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras;
Contra a presença da 4ª Frota na América Latina;
Pela integração solidária da América Latina;
Contra a volta do neoliberalismo
Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA;
Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas;
Pela defesa da Amazônia e da nossa biodiversidade como patrimônio nacional.

NOTA DE REPÚDIO À MANTENEDORA DA FAMINAS – MURIAÉ MG

Posted maio 18th, 2010 in Notícias by thalitamartins

A Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social – ENESSO – vem a público repudiar a atitude conservadora, discriminatória e autoritária protagonizada pela mantenedora da FAMINAS – Faculdade de Minas, Muriaé, MG – em relação à realização da Semana Acadêmica do curso de Serviço Social, que ocorreria entre os próximos dias 17 e 19, em comemoração ao dia do assistente social.
O evento, de tema Fortalecer as Lutas Sociais para romper com a Desigualdade, promoveria espaços importantes para os alunos, com discussões realizadas atualmente por toda a categoria, com a presença de representantes da ENESSO, da ABEPSS e de outros movimentos sociais, como o MGM – Movimento Gay de Minas, que estaria presente na mesa Homofobia, Racismo e Patriarcado na Sociabilidade Capitalista: a Superação do Preconceito como Desafio Ético Político ao Serviço Social.
A imagem que seria utilizada na divulgação do evento contém figuras de segmentos oprimidos, como indígenas, portadores de deficiência, camponeses e homossexuais. Entretanto, em virtude da figura de um casal homossexual se beijando, a empresa Lael Varella Educação e Cultura Ltda, mantenedora da FAMINAS, propriedade do deputado federal Lael Varella (DEM), não permitiu que o evento fosse divulgado com a mesma, considerando ruim que tal imagem fosse associada ao nome da FAMINAS e sugerindo alternativas “menos ofensivas à família e à FAMINAS”, como imagens de pessoas de mãos dadas. Diante de tamanho cerceamento a coordenadora do curso de Serviço Social optou pelo cancelamento do evento e informou aos palestrantes que já estavam confirmados, bem como aos alunos, o motivo do mesmo. Imediatamente, em contato telefônico, a mantenedora da instituição determinou a demissão da professora, o que também repudiamos veementemente! A demissão de professores no curso de Serviço Social por motivos políticos não ocorre pela primeira vez na FAMINAS, que impõe claramente direcionamentos à formação profissional de assistentes sociais contrários aos recomendados pela categoria.
Considerando os princípios afirmados pelo nosso Código de Ética, de empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, e contrários a qualquer tipo de discriminação, em favor da construção de uma nova ordem societária, sem dominação-exploraçã o de classe, etnia e gênero e considerando o posicionamento dos estudantes de Serviço Social, expresso nas deliberações do último Encontro Nacional de Estudantes de Serviço Social, contra a homofobia, pela livre orientação e expressão sexual dos indivíduos e apoio às suas organizações coletivas e lutas, é que repudiamos tamanho absurdo! Os estudantes da FAMINAS estão indignados e se mobilizando contra o autoritarismo da instituição e nós, da ENESSO, declaramos público o nosso apoio, na defesa de seu direito à organização estudantil, na defesa da autonomia do Serviço Social e na luta pela eliminação de toda e qualquer forma de preconceito, discriminação e arbítrio!
 
 
13 de Maio de 2010,
 
Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social – Região V
Gestão “Ousar lutar quando a regra é ceder”
2009/2010

Ministro anuncia criação de bolsas para negros

Posted maio 18th, 2010 in Notícias by thalitamartins

No Dia em que se comemora os 122 anos da Lei Áurea, o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloi Ferreira, anunciou a criação de 250 bolsas de pós-graduação para alunos negros ou pardos e um aumento de 200 bolsas do Programa de Iniciação Científica (Pibic), que passarão de 600 para 800.
O ministro destacou que, apesar de o sistema de cotas não ser obrigatório no Brasil, 91 universidades públicas adotam a reserva de vagas no vestibular para alunos negros.
Ele também anunciou o lançamento de um selo para identificar as instituições de ensino que promovem a Lei nº 10.639, de 2003. O texto tornou obrigatória a inclusão da história do povo negro e suas contribuições culturais, econômicas e sociais para o país no currículo de ensino infantil, fundamental e médio. A entrega dos selos ocorrerá em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.
Para Eloi Ferreira, as ações divulgadas nesta quinta-feira ajudam a corrigir injustiças e distorções históricas. “A promulgação da Lei Áurea não foi acompanhada de uma inclusão educacional, habitacional e isso faz com que até hoje o negro continue na base da pirâmide social”, afirmou.
O ministro defendeu também a criação do Estatuto de Igualdade Racial, que já foi aprovado pela Câmara e aguarda votação no Senado. “Essa lei será como um segundo artigo da Lei Áurea. Ela garante o respeito às religiões de matriz africana e garante a possibilidade de acesso à terra aos remanescentes quilombolas”, destacou.

Notícia da Agência Brasil

12º Encontro Nacional dos Estudantes das Escolas Técnicas (ENET) da UBES

Posted maio 18th, 2010 in Movimento Estudantil by thalitamartins

“Vam, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…”
 
 
 
Como já relatado anteriormente, dos dias 25 a 27 de Julho, acontecerá em Natal, Rio Grande do Norte o 12º Encontro Nacional dos Estudantes das Escolas Técnicas (ENET) da UBES.
Esse é um espaço de muita importância para o Movimento Mudança, onde poderemos debater, construir e dividir nossas opiniões. Além de ser um espaço de debates, será também um espaço onde poderemos disputar opiniões, mentes e corações. É uma atividade de massas, onde temos a chance de mostrar nossa cara e dizer quem somos aos estudantes brasileiros, quais são as nossas bandeiras e convencê-los a lutar conosco. 

 
Nesse sentido, precisamos nos organizar para termos uma boa atuação e boas intervenções nesses espaços. Para isso devemos começar a nos mobilizar desde já!
Precisamos começar a dialogar com os grêmios de escolas técnicas, com os estudantes interessados, com os militantes, com todos estudantes técnicos do Brasil !!
 
Os objetivos específicos do ENET são:
 
- Discutir amplamente a expansão e a consolidação do Ensino Profissional no país;
- Debater a criação do Fundepro (Fundo da Educação Profissional) e a origem de seus recursos;
- Analisar o andamento das redes de Escolas Técnicas Estaduais;
- Discutir o repasse dos recursos do Sistema S para a Educação Profissional;
- Realizar um balanço sobre o decreto 6095, que transformou os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET’s) em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET’s);
- Integrar centenas de estudantes das Escolas Técnicas públicas e particulares de todo o país;
- Firmar o ENET como fórum regular de discussão dos estudantes das Escolas Técnicas e Tecnológicas do Brasil;
- Aprovar metas de lutas em defesa das Escolas Técnicas, Agrotécnicas, Técnicas Estaduais e CEFET’s;
 
Mas para nós, do Movimento Mudança, os objetivos vão muito além desses. Queremos inserir o debate do combate ao machismo também no Ensino Técnico, de como as Escolas Técnicas podem repensar a lógica de exploração do Meio Ambiente, de Assistência Estudantil, e em todos os debates, levar nossas bandeiras, debater sobre investimentos, financiamentos, qualificação dos professores e dos cursos, acesso e permanência dos estudantes nas escolas, e porque não debater também a democracia da UBES, que é também um problema dos estudantes de escolas técnicas que não conseguem ter acesso aos debates, já que a UBES tem dificuldade de chegar até suas escolas e de estar cotidianamente na vida escolar desses estudantes.
 
Por esses tantos motivos queremos convidar os estudantes e convocar os dirigentes a construírem esse encontro, tanto na mobilização, quanto na politização dos debates que realizaremos em Natal.
Vamos todos começar desde já a nos preparar para o ENET, para que o Movimento Mudança mostre sua cara, sua luta e suas conquistas. E esse ENET tem tudo para ser uma das muitas conquistas que teremos!
 
“Não tem estado, Não tem fronteira, é o Movimento da Mudança Brasileira!”

Deliqüência Acadêmica, por Maurício Tragtenberg

Posted maio 18th, 2010 in Artigos by thalitamartins

Por Maurício Tragtenberg

O tema é amplo: a relação entre a dominação e o saber, a relação entre o intelectual e a universidade como instituição dominante ligada à dominação, a universidade antipovo.

A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais.

No século passado, período do capitalismo liberal, ela procurava formar um tipo de “homem” que se caracterizava por um comportamento autônomo, exigido por suas funções sociais: era a universidade liberal humanista e mandarinesca. Hoje, ela forma a mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o despotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que deformam os dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito forma os aplicadores da legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utilizá-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de um doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for.

Na instância das faculdades de educação, forma-se o planejador tecnocrata a quem importa discutir os meios sem discutir os fins da educação, confeccionar reformas estruturais que na realidade são verdadeiras “restaurações”. Formando o professor-policial, aquele que supervaloriza o sistema de exames, a avaliação rígida do aluno, o conformismo ante o saber professoral. A pretensa criação do conhecimento é substituída pelo controle sobre o parco conhecimento produzido pelas nossas universidades, o controle do meio transforma-se em fim, e o “campus” universitário cada vez mais parece um universo concentracionário que reúne aqueles que se originam da classe alta e média, enquanto professores, e os alunos da mesma extração social, como “herdeiros” potenciais do poder através de um saber minguado, atestado por um diploma.

A universidade classista se mantém através do poder exercido pela seleção dos estudantes e pelos mecanismos de nomeação de professores. Na universidade mandarinal do século passado o professor cumpria a função de “cão de guarda” do sistema: produtor e reprodutor da ideologia dominante, chefe de disciplina do estudante. Cabia à sua função professoral, acima de tudo, inculcar as normas de passividade, subserviência e docilidade, através da repressão pedagógica, formando a mão-de-obra para um sistema fundado na desigualdade social, a qual acreditava legitimar-se através da desigualdade de rendimento escolar; enfim, onde a escola “escolhia” pedagogicamente os “escolhidos” socialmente.

A transformação do professor de “cão de guarda” em “cão pastor” acompanha a passagem da universidade pretensamente humanista e mandarinesca à universidade tecnocrática, onde os critérios lucrativos da empresa privada, funcionarão para a formação das fornadas de “colarinhos brancos” rumo às usinas, escritórios e dependências ministeriais. É o mito da assessoria, do posto público, que mobiliza o diplomado universitário.

A universidade dominante reproduz-se mesmo através dos “cursos críticos”, em que o juízo professoral aparece hegemônico ante os dominados: os estudantes. Isso se realiza através de um processo que chamarei de “contaminação”. O curso catedrático e dogmático transforma-se num curso magisterial e crítico; a crítica ideológica é feita nos chamados “cursos críticos”, que desempenham a função de um tranqüilizante no meio universitário. Essa apropriação da crítica pelo mandarinato universitário, mantido o sistema de exames, a conformidade ao programa e o controle da docilidade do estudante como alvos básicos, constitui-se numa farsa, numa fábrica de boa consciência e delinqüência acadêmica, daqueles que trocam o poder da razão pela razão do poder. Por isso é necessário realizar a crítica da crítica-crítica, destruir a apropriação da crítica pelo mandarinato acadêmico. Watson demonstrou como, nas ciências humanas, as pesquisas em química molecular estão impregnadas de ideologia. Não se trata de discutir a apropriação burguesa do saber ou não-burguesa do saber, mas sim a destruição do “saber institucionalizado”, do “saber burocratizado” como único “legítimo”. A apropriação universitária (atual) do conhecimento é a concepção capitalista de saber, onde ele se constitui em capital e toma a forma nos hábitos universitários.

A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – “esse batismo burocrático do saber”. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela “exclui” o candidato. Para o professor, há o currículo visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada “informação” que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já constituem um sistema ideológico. Mas, em que consiste a delinqüência acadêmica?

A “delinqüência acadêmica” aparece em nossa época longe de seguir os ditames de Kant: “Ouse conhecer.” Se os estudantes procuram conhecer os espíritos audazes de nossa época é fora da universidade que irão encontrá-los. A bem da verdade, raramente a audácia caracterizou a profissão acadêmica. Os filósofos da revolução francesa se autodenominavam de “intelectuais” e não de “acadêmicos”. Isso ocorria porque a universidade mostrara-se hostil ao pensamento crítico avançado. Pela mesma razão, o projeto de Jefferson para a Universidade de Virgínia, concebida para produção de um pensamento independente da Igreja e do Estado (de caráter crítico), fora substituído por uma “universidade que mascarava a usurpação e monopólio da riqueza, do poder”. Isso levou os estudantes da época a realizarem programas extracurriculares, onde Emerson fazia-se ouvir, já que o obscurantismo da época impedia a entrada nos prédios universitários, pois contrariavam a Igreja, o Estado e as grandes “corporações”, a que alguns intelectuais cooptados pretendem que tenham uma “alma”. [1]

Em nome do “atendimento à comunidade”, “serviço público”, a universidade tende cada vez mais à adaptação indiscriminada a quaisquer pesquisas a serviço dos interesses econômicos hegemônicos; nesse andar, a universidade brasileira oferecerá disciplinas como as existentes na metrópole (EUA): cursos de escotismo, defesa contra incêndios, economia doméstica e datilografia em nível de secretariado, pois já existe isso em Cornell, Wisconson e outros estabelecimentos legitimados. O conflito entre o técnico e o humanismo acaba em compromisso, a universidade brasileira se prepara para ser uma “multiversidade”, isto é, ensina tudo aquilo que o aluno possa pagar. A universidade, vista como prestadora de serviços, corre o risco de enquadrar-se numa “agência de poder”, especialmente após 68, com a Operação Rondon e sua aparente democratização, só nas vagas; funciona como tranqüilidade social. O assistencialismo universitário não resolve o problema da maioria da população brasileira: o problema da terra.

A universidade brasileira, nos últimos 15 anos, preparou técnicos que funcionaram como juízes e promotores, aplicando a Lei de Segurança Nacional, médicos que assinavam atestados de óbito mentirosos, zelosos professores de Educação Moral e Cívica garantindo a hegemonia da ideologia da “segurança nacional” codificada no Pentágono.

O problema significativo a ser colocado é o nível de responsabilidade social dos professores e pesquisadores universitários. A não preocupação com as finalidades sociais do conhecimento produzido se constitui em fator de “delinqüência acadêmica” ou da “traição do intelectual”. Em nome do “serviço à comunidade”, a intelectualidade universitária se tornou cúmplice do genocídio, espionagem, engano e todo tipo de corrupção dominante, quando domina a “razão do Estado” em detrimento do povo. Isso vale para aqueles que aperfeiçoam secretamente armas nucleares (M.I.T.), armas químico-biológicas (Universidade da Califórnia, Berkeley), pensadores inseridos na Rand Corporation, como aqueles que, na qualidade de intelectuais com diploma acreditativo, funcionam na censura, na aplicação da computação com fins repressivos em nosso país. Uma universidade que produz pesquisas ou cursos a quem é apto a pagá-los perde o senso da discriminação ética e da finalidade social de sua produção – é uma multiversidade que se vende no mercado ao primeiro comprador, sem averiguar o fim da encomenda, isso coberto pela ideologia da neutralidade do conhecimento e seu produto.

Já na década de 30, Frederic Lilge [2] acusava a tradição universitária alemã da neutralidade acadêmica de permitir aos universitários alemães a felicidade de um emprego permanente, escondendo a si próprios a futilidade de suas vidas e seu trabalho. Em nome da “segurança nacional”, o intelectual acadêmico despe-se de qualquer responsabilidade social quanto ao seu papel profissional, a política de “panelas” acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o conhecimento a quem e para que serve? Enquanto este encontro de educadores, sob o signo de Paulo Freire, enfatiza a responsabilidade social do educador, da educação não confundida com inculcação, a maioria dos congressos acadêmicos serve de “mercado humano”, onde entram em contato pessoas e cargos acadêmicos a serem preenchidos, parecidos aos encontros entre gerentes de hotel, em que se trocam informações sobre inovações técnicas, revê-se velhos amigos e se estabelecem contatos comerciais.

Estritamente, o mundo da realidade concreta e sempre muito generoso com o acadêmico, pois o título acadêmico torna-se o passaporte que permite o ingresso nos escalões superiores da sociedade: a grande empresa, o grupo militar e a burocracia estatal. O problema da responsabilidade social é escamoteado, a ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de apolítico, isto é, serve à política do poder.

Diferentemente, constitui, um legado da filosofia racionalista do século XVIII, uma característica do “verdadeiro” conhecimento o exercício da cidadania do soberano direito de crítica questionando a autoridade, os privilégios e a tradição. O “serviço público” prestado por estes filósofos não consistia na aceitação indiscriminada de qualquer projeto, fosse destinado à melhora de colheitas, ao aperfeiçoamento do genocídio de grupos indígenas a pretexto de “emancipação” ou política de arrocho salarial que converteram o Brasil no detentor do triste “record” de primeiro país no mundo em acidentes de trabalho. Eis que a propaganda pela segurança no trabalho emitida pelas agências oficiais não substitui o aumento salarial.

O pensamento está fundamentalmente ligado à ação. Bergson sublinhava no início do século a necessidade do homem agir como homem de pensamento e pensar como homem de ação. A separação entre “fazer” e “pensar” se constitui numa das doenças que caracterizam a delinqüência acadêmica – a análise e discussão dos problemas relevantes do país constitui um ato político, constitui uma forma de ação, inerente à responsabilidade social do intelectual. A valorização do que seja um homem culto está estritamente vinculada ao seu valor na defesa de valores essenciais de cidadania, ao seu exemplo revelado não pelo seu discurso, mas por sua existência, por sua ação.

Ao analisar a “crise de consciência” dos intelectuais norte-americanos que deram o aval da “escalada” no Vietnã, Horowitz notara que a disposição que eles revelaram no planejamento do genocídio estava vinculada à sua formação, à sua capacidade de discutir meios sem nunca questionar os fins, a transformar os problemas políticos em problemas técnicos, a desprezar a consulta política, preferindo as soluções de gabinete, consumando o que definiríamos como a traição dos intelectuais. É aqui onde a indignidade do intelectual substitui a dignidade da inteligência.

Nenhum preceito ético pode substituir a prática social, a prática pedagógica.

A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os fins formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cede lugar ao controle burocrático de sua produção como suprema virtude, onde “administrar” aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis de exame. Isso resulta em escolas que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em “Cemitério de Vivos”.

A alternativa é a criação de canais de participação real de professores, estudantes e funcionários no meio universitário, que oponham-se à esclerose burocrática da instituição.

 A autogestão pedagógica teria o mérito de devolver à universidade um sentido de existência, qual seja: a definição de um aprendizado fundado numa motivação participativa e não no decorar determinados “clichês”, repetidos semestralmente nas provas que nada provam, nos exames que nada examina, mesmo porque o aluno sai da universidade com a sensação de estar mais velho, com um dado a mais: o diploma acreditativo que em si perde valor na medida em que perde sua raridade.

A participação discente não constitui um remédio mágico aos males acima apontados, porém a experiência demonstrou que a simples presença discente em colegiados é fator de sua moralização.

* Texto apresentado no I Seminário de Educação Brasileira, realizado em 1978, em Campinas-SP. Publicado em: TRAGTENBERG, M. Sobre Educação, Política e Sindicalismo. Sã Paulo: Editores Associados; Cortez, 1990, 2ª ed. (Coleção teoria e práticas sociais, vol 1) [1] Kaysen pretende atribuir uma “alma”à corporação multinacional; esta parece não preocupar-se com tal esforço construtivo do intelectual. [2] Frederic LILGE, The Abuse of Learning: The Failure of German University. Macmillan, New York, 1948

Marcha da Maconha em BH e no Brasil.

Posted maio 14th, 2010 in Movimentos Sociais, Política by thalitamartins

Começa em 2010 a jornada da Marcha da Maconha no Rio de Janeiro, passando por Belo Horizonte e indo para todo o Brasil com a discussão sobre a legalização da maconha. O cigarro provocador de câncer de pulmão, doenças crônicas bucais e também o fomento do mercado capitalista do tabagismo vem paralelo as maravilhosas propagandas da indústria da cerveja que não tem a dimensão da liberdade de poder plantar, cultivar e consumir o cannabis sativa sem utilizar o mercado do tráfico de drogas ou da venda, padaria ou supermercado.

Poder plantar, cultivar e consumir algo da natureza fortalece cada vez mais a idéia na cabeça da juventude de todo território nacional, porem os entraves morais formulados pela grande mídia (quem são os donos dos meios de comunicação?) e pela justiça (quem são os juízes e desembargadores?) tentam garantir com que a falsa legalidade impere trazendo o enquadro criminal seja como usuário ou traficante.

A muito tempo se discute o tráfico de drogas numa lógica criminalista (quem são os verdadeiros donos da justiça?) para desviar os olhos da sociedade na discussão da saúde pública ou até mesmo dos direitos individuais.

Sem constrangimento vale opinar que se querem um mundo longe da criminalidade que não punam o usuário da maconha com a intermediação do traficante e menos ainda deixem tal mercado capitalista se enriquecer com armas nas mãos de jovens (quem são os fabricantes de armas?) e menos ainda a clandestinidade do plantio (quem empresta o avião para sair da Colômbia e chegar no Brasil?).

Em ritmo do histórico Planet Hemp! quem são os verdadeiros donos do capital, os pobres ou os ricos? Porem a multidão maconheira do Brasil apenas quer paz e liberdade para fazer o que já anda fazendo escondido, não queremos nossos filhos em ritmo de Bezerra da Silva, queremos apertar e acender agora. Botando os pingos nos ‘is’ e tendo a tranquilidade de dizer que “amar e mudar as coisas enteressa mais a Marcha da Maconha”..

ENECOM Parahyba 2010: O processo de consciência através da comunicação popular para a libertação do povo

Posted maio 14th, 2010 in Movimento Estudantil, Notícias by thalitamartins
É com estima e disposição que o Movimento Mudança agrega no debate e militância da Democratização da Comunicação (DemoCom). Reverter o quadro em que a comunicação no nosso país se encontra é fundamental para consolidar uma sociedade que quer se afirmar democrática. Durante muito tempo esse debate ficou restrito à profissionais e estudantes da área, mas hoje expande-se pela rede de movimentos sociais Brasil afora.

No Movimento Estudantil Geral a Mudança sempre esteve à frente defendendo esta bandeira e destacando pontos que considera relevantes para acelerar a democratização da comunicação. Discutir, por exemplo, as concessões públicas de Rádio & TV, uma das problemáticas mais debatidas no meio pela DemoCom, além de democratizar a comunicação, auxilia naturalmente no processo da reforma política, pelo fato de que muitos políticos, em especial parlamentares federais, detém concessões que são públicas, educativas e portanto, de uso e compartilhamento coletivo. Qualquer concessão de canal de TV ou de frequência de rádio é aprovada pelo Congresso Nacional, por esse detalhe explica-se o motivo pelo qual tantos parlamentares possuem rádios e canais de TV espalhados pelas cinco regiões do Brasil. Assim como essa discussão, várias outras também se apresentam como anseio da democracia e da militância pela democratização da comunicação. O combate à repressão para com a radiodifusão comunitária, a luta pelo fim da criminalização dos Movimentos Socias na mídia por parte dos grandes conglomerados de comunicação do nosso país, são algumas discussões pela DemoCom que nos cenram. Por isso mesmo, cada segmento deve compreender a relevância da comunicação não só enquanto troca de informação, mas também como um direito inerente à existência humana, sendo assim um direito humano.

No interior de todo esse debate, encontram-se os futuros comunicadores de nosso país, ou seja, os estudantes de comunicação social. Jornalismo, Publicidade & Propaganda, Rádio & TV, Cinema e Fotografia são algumas das habilitações do campo da comunicação social que detém futuros profissionais que obrigatoriamente devem estar compromissados não só com o ofício de comunicador, mas também com seu papel de agente social, de cidadão. Para tal, existe a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, a ENECOS, uma entidade de âmbito nacional e bastante reconhecida no meio estudantil. Diversos cursos de graduação superior possuem entidades representativas de atuação nacional e no caso da comunicação, essa entidade é a ENECOS. O curso de Direito, por exemplo, se organiza na FENED (Federativa Nacional dos Estudantes de Direito). Há essa pequena diferença, quando alguns cursos possuem Federativa ao invés de Executiva, mas que não implica diferença na prática militante.

O grande espaço nacional dos estudantes que discutem e militam pela DemoCom é o Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, o ENECOM, que este ano terá a sua 31ª edição realizada no estado da Paraíba, campus da UFPB de João Pessoa. A cada ano um novo tema é alvo de discussão e reflexão por parte dos estudantes que se debruçam sobre ele e outros subtemos relacionados, dando substância e fundamentalizando a pauta principal. Agora em 2010, por exemplo, o grande debate se dará em torno do “Processo de consciência através da Comunicação Popular para a libertação do povo”. É com essa perspectiva Universidade & Sociedade que mais uma vez o ENECOM se afirmará como espaço de efetiva e relevante discussão das bandeiras da comunicação social, para além da discussão, se construir as alternativas práticas que contemplem cada vez mais a rede dos movimentos sociais, o conjunto da sociedade e a democracia, de fato, em todos os espaços em que ela deve se fazer presente.

Por tamanha importância para a comunicação, pro povo e pra democracia, esta é também uma bandeira do Movimento Mudança, que convoca todos os seus militantes a se colocarem em mais uma construção coletiva indiscutivelmente necessária à afirmação da nossa identidade enquanto estudantes e agentes ativos dispostos a influenciar os espaços dos quais nos dispusemos a compor e/ou disputar para contribuir na real tranformação a favor dos princípios democráticos, de esquerda socialista e de caráter popular.

Maiores informações no blog do ENECOM 2010 Parahyba: www.enecomparaiba2010.blogspot.com