Um breve relato sobre a história, o Brasil, os Movimentos Sociais e alguns desafios do Movimento Estudantil.

Posted maio 11th, 2011 in Artigos, Educação, Movimento Estudantil by decko

A história dos Movimentos Sociais no Brasil, inclusive o Movimento Estudantil, é marcada pelos grandes embates feitos aos governos autoritários, sobretudo na luta pela liberdade e democracia. A década de 70 e boa parte da década de 80 servem para todos nós como inspiração no que diz respeito à ideologia que movia mentes e corações. Entender o significado dos movimentos sociais na história do Brasil, na consolidação da democracia e na garantia de várias das liberdades que gozamos hoje é preceito fundamental para compreender os efeitos e sintomas que vive o movimento nos dias de hoje.

Essa movimentação pró-liberdades individuais e coletivas que teve uma característica de resistência fez com que fossemos todos forjados nas lutas antissistemas que se organizavam a partir dos imperativos negativos aos governos que se sucediam.

O Brasil dos anos 90, auge do Neoliberalismo, influenciado diretamente pela dupla dinâmica Ronald Reagan e Margareth Thatcher foi berço das lutas contra os governos FHC, os desmandos do senhor Paulo Renato na educação brasileira, do sucateamento de todos os aparelhos estatais, das privatarias, do desrespeito aos trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e de todos os traços básicos de um governo que não dialogava com os movimentos sociais, pois estava ao lado das elites brasileiras e internacionais em nome do capital privado, sem levar em consideração o povo que vivia a margem da “democracia” então vivida.

O Movimento Social começa a viver um paradoxo de difícil compreensão: A luta de algumas décadas em nome da democracia e quando ela chega, os governos “democraticamente” eleitos não são governos que tem em seu DNA a classe trabalhadora, a integração latino americana e as minorias organizadas ou não. Ora, passamos tanto tempo lutando contra a ditadura e quando alcançamos a democracia o povo não está na pauta do dia!  Não precisaria nenhum exercício de numerologia para saber que necessariamente o movimento se organizaria mais para que não houvesse nenhum tipo de retrocesso, pois apesar dos pesares, todas as analises eram consensuais sobre os avanços de se lutar num regime democrático e os avanços que o movimento conquistara.

A luta dos(as) trabalhadores(as) no grande período de massas que houve no Brasil, fez com que os movimentos avançassem e se organizassem no acúmulo de suas pautas e nas vitorias que a luta ia impondo ao capitalismo.

Em 2002 o produto de toda essa equação da luta dos trabalhadores durante tantos anos é a vitória do primeiro trabalhador operário a Presidência da República. Luiz Inácio LULA da Silva, após décadas nos movimentos sociais organizados, chega ao mais alto posto do executivo brasileiro em um processo eleitoral sangrento, disputado até o último voto.

Com todas as suas limitações, o Governo LULA foi comparativamente o melhor governo que os movimentos sociais presenciaram em toda história do Brasil, sobretudo na negociação com os e no encaminhamento de suas pautas.

Talvez a característica que defina melhor o Governo Lula do ponto de vista dos movimentos sociais seja a constante disputa que ele viveu durante os oito anos de seu mandato. Essa disputa foi nítida, com um fator agravante que era a coalisão que compunha o Governo Lula, diversos partidos de orientações ideológicas diferentes disputando um rumo para o Brasil. De um lado o Governo era disputado pelo poder econômico, pelo poder político no judiciário, no executivo e legislativo, pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e todas as ferramentas que o centro clandestino que transita entre o poder no Brasil possui. Do outro lado os movimentos sociais, que disputaram o governo a partir das ruas reivindicando suas pautas e suas reformas democráticas e populares.

É preciso afirmar que o movimento social sofre uma drástica queda a partir do Governo Lula, mas é preciso analisar o processo todo para não correr o risco de elencar culpados sem antes saber das causas e reflexos deste processo.  O Governo Lula é resultado da enorme onda da luta de massas organizada pelos movimentos sociais no Brasil, enquanto a onda avançou, o movimento social se organizou, pautou política e conseguiu fazer grandes mobilizações no Brasil. Com a vitória de Lula, os movimentos sociais no Brasil passam se organizar a partir de pautas afirmativas, pois era um novo momento na democracia brasileira.

A partir desse giro na movimentação política dos movimentos sociais e do giro de vários companheiros que assumem pautas estratégicas no Governo, ocorre um novo momento para os movimentos sociais organizados. Antes, mesmo com grandes mobilizações em que milhares de trabalhadores iam às ruas, o Governo não recebia o movimento, não estava no mesmo patamar de diálogo e tratava as mobilizações com o aparelho repressor do Estado. A partir do Governo Lula, os movimentos não só estabelecem um novo nível de diálogo, como também veem suas pautas sendo encaminhadas pelo Governo Federal.

Um movimento revolucionário normalmente vem de condições adversas, pois dos piores períodos é que nasce as grandes mobilizações, fruto da angústia e da falta de condições básicas para o povo sobreviver. Em Cuba, Fidel organizou-se contra o ditador Fulgêncio Batista, na URSS Lênin se organiza contra o Czarismo, o Vietnã há uma organização contra o Governo que deixava o povo à fome, os Sandinistas contra a ditadura na Nicarágua e vários outros processos reafirmam que os movimentos revolucionários de ruptura com o unilateral com o Estado Capitalista, a priori, vêm de períodos de extrema dificuldade do povo. Dizer isso não é o mesmo que dizer que o povo apenas se organiza quando lhe é imposto um momento de duras necessidades, mas compreender que o movimento tem dinâmicas cíclicas que são orientadas pela conjuntura política de seu país. Vivemos longe de uma Sociedade Socialista que não traga em seu âmago disparidades econômicas e que respeite a democracia, o meio ambiente, os negros, as negras, as mulheres, as LGBTT, o movimento estudantil e que cumpra todos os outros critérios da sociedade que acreditamos ser ideal, mas ao mesmo tempo, entendemos a transição do modelo neoliberal imperialista para o modelo da Democracia Popular Participativa e de integração latino-americana como um período de grande avanço na história do Brasil e isso sem dúvida é condição melhor do que as vividas no Brasil que ficou para trás.

Num período de transição positiva, onde o Brasil consegue aliar crescimento, democracia, participação popular e conseguir destaque mundial na política e na economia, o movimento social passa a agir de outra forma, qual seja de pautar o Governo a partir de mobilizações pontuais e da apresentação de propostas agora recebidas. Os grandes embates vêm dos momentos em que o diálogo é esvaziado, onde há diálogo, o embate não é a principal ferramenta.

Praticamente a mesma coalisão que elege e reelege Lula, coloca pela primeira vez na história do Brasil uma mulher trabalhadora na Presidência da República. Os desafios desse novo Governo do ponto de vista administrativos são diferentes, pois Dilma assume a herança de oito anos de governo Lula, que sem dúvida foram muito melhores do que os oito anos de governo FHC, mas para os Movimentos Sociais, as tarefas são as mesmas: Disputar o Governo através das ruas com toda autonomia que o movimento social precisa para pautar suas lutas, avançar nas pautas e nas reformas democráticas e populares, garantir que não haja nenhum retrocesso e estabelecer uma plataforma máxima de avanços para o Brasil.

No movimento estudantil não é diferente, avançamos muito nas conquistas no último período, mas não chegamos nem perto dos nossos objetivos de universalizar o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, além de garantir condições de permanências à tod@s  @s estudantes nas Instituições de Ensino Superior do Brasil.

Para isso é necessário que o Movimento Estudantil se fortaleça. Precisamos que nossas entidades Estaduais de Representação (UEE’s) e principalmente a UNE (União Nacional dos Estudantes) se consolidem cada vez mais como o grande palco do debate sobre educação no Brasil. São essas entidades que irão dar capilaridade para todas as lutas dos Estados e do país, por isso é preciso entender o caráter estratégico de fortalecê-las. Qualquer tentativa de rompimento com a UNE significa fortalecer os setores divisionistas e/ou conservadores da sociedade.

Fortalecer a UNE é uma tarefa de todo movimento estudantil brasileiro, por isso ela precisa ter legitimidade perante toda comunidade estudantil, isso nós só vamos conseguir quando a UNE estiver presente em todas as universidades. Mas em todas as universidades? Sim. Ter a UNE presente na sua instituição de ensino significa ter o CA/DA do seu curso organizado, um DCE verdadeiramente representativo e compromissado com os estudantes.

Enquanto as entidades da base não fizerem de fato parte do dia-a-dia dos(as) estudantes não teremos nem as UEE’s muito menos as UNE com propriedade para falar em nome dos estudantes de todo Brasil. Construir Centros Acadêmicos e Diretórios Acadêmicos é fundamental para o fortalecimento da UNE.

O modelo organizacional da UNE ainda apresenta algumas arestas que precisamos sanar. Uma delas é fortalecer cada vez mais os Congressos Nacionais de Entidades de Base (CONEB’s) e os Congressos Nacionais de Entidades Gerais (CONEG’s). São esses fóruns que trazem o acúmulo das lutas travadas em cada Instituição de Ensino Superior. Ademais, esses fóruns deliberam toda a política da entidade e por isso as decisões que são deliberadas nestes congressos, precisam ser respeitadas e implementadas na vida real da entidade. Os fóruns precisam ser respeitados em sua gênese, pois o movimento estudantil é feito em cada CA e em todos os DCE’s, se a luta não é organizada a partir do embrião organizacional, provavelmente ela não será respeitada nos demais espaços.  Garantir espaços com debates mais qualificados e comprometidos com o movimento estudantil, sobretudo respeitando cada deliberação e cada encaminhamento é uma das tarefas fundamentais do movimento estudantil.

Precisamos rever o modelo das plenárias finais e dos grupos de discussão. Discutir nos grupos e não ter uma sistematização de cada discussão é um desrespeito com os estudantes, a discussão é importante, mas a síntese das idéias é mais ainda. Parafraseando Marx: “De que valem as boas ideias sem boas pessoas que as coloquem em prática?”.

Cada vez mais é importante fortalecer nossas entidades. Práticas como organizar debates, passar em sala de aula, organizar eventos são fundamentais para que os estudantes identifiquem essas organizações como seus verdadeiros representantes!

Entre as dificuldades organizacionais a serem sanadas está o modelo do Congresso da UNE, este deve ter como papel central formular a política da gestão. Fazer o congresso para eleger a diretoria é esvaziar o debate político e priorizar os acordos entre as direções. Acreditamos que a partir do momento que os estudantes elegerem com voto direto em cada universidade eles se sentirão cada vez mais parte da UNE.  Inclusive a dinâmica das eleições diretas é muito mais simples: quando o estudante for eleger o delegado ele já vota na chapa da diretoria da UNE. Ora, se o delegado já é convencido por uma tese no processo de tiragem de delegados, necessariamente ele é convencido a caminhar politicamente com uma chapa e se essas afirmações estão corretas, submeter o voto do delegado para outro processo eleitoral é subverter o caráter democrático do processo, pois remete a outro momento o debate que está sendo feito na base do movimento estudantil, no berço de toda discussão, na sala de aula e no dia a dia da luta real.

Entender a história do Brasil, onde nos encaixamos individualmente e onde estamos coletivamente é um exercício complexo, como também é complexo o movimento de caminhar sempre em frente.

Permanecemos Mudança em Movimento, da história, das mentes e dos corações.

*Camilo Vanni é da Direção Nacional do Movimento Mudança e Secretário Geral da União Paranaense dos Estudantes (UPE)

**Vinícius Lima é do Movimento de Ação e Identidade Socialista – Partido dos Trabalhadores

Desafios para a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas: O Movimento Mudança como protagonista das transformações

Posted maio 8th, 2011 in Movimento Estudantil by debora

O ano de 2011 está sendo marcado por grandes mobilizações do Movimento Estudantil. Os estudantes brasileiros vêm a cada dia afinando mais sua opinião em relação ao PNE e apontado novos rumos para a educação. Neste Sentido, entendemos que o 1° Encontro Nacional de Grêmios foi um marco para o movimento estudantil.
No encontro de Grêmios, os estudantes brasileiros discutiram e iniciaram um novo processo de proposição para o Movimento Estudantil Secundarista. Nele a UBES encaminhou a realização do Primeiro Seminário Nacional de Meio Ambiente e o Primeiro Seminário Nacional de Mulheres, encontros em que a Mudança foi decisiva para sua realização, pois acreditamos que só avançando nestas bandeiras, o movimento estudantil conseguirá trazer novas perspectivas para a escola brasileira e uma nova sociedade.
Nós do Movimento Mudança entendemos que a convocação do 1° Seminário Nacional de Meio Ambiente trará um debate que há tempos o ME necessita se aprofundar e discutir para que tenhamos uma educação que condiga com a nova realidade que o Planeta e o Brasil vivem e para que possamos cada vez mais construir um apontamento claro numa educação em que o meio ambiente e um mundo auto-sustentável sejam valores centrais.
Outro ponto fundamental para esse momento do ME é a sinalização de que a UBES precisa se firmar na luta contra o machismo nas escolas, nos grêmios e nas entidades que compõem a sua rede. Neste sentido entendemos que a ascensão das Mulheres nos espaços de decisão e de organização da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e do Movimento Estudantil é um fator fundamental para avançarmos neste debate.
Por tudo isso a Mudança colocará todo seu empenho e mobilização na realização também do 1° Encontro Nacional de Mulheres em setembro. Só com o avanço na luta contra o machismo e a valorização das mulheres é que conseguiremos fortalecer a autonomia e a luta feminista e encaminhar uma plataforma clara para uma escola cada vez mais livre de preconceitos.
Por fim, gostaríamos de falar um pouco sobre a pauta central que hoje a UBES e a UNE protagonizam na sociedade brasileira. Defender 50% do fundo social do pré-sal e 10% do PIB pra educação é fortalecer o PNE e garantir que nos próximos 10 anos a agenda do Brasil esteja totalmente voltada para a universalização de uma educação qualitativa e emancipadora.
Desta forma vimos como grande desafio na luta pela aprovação do PNE, a garantia de um sistema educacional articulado entre todos os entes federados para que tenhamos como meta central o fortalecimento do Ensino Médio e da Educação de Base. Só seremos o País do futuro quando tivermos em toda a sociedade a certeza do fortalecimento deste segmento da educação. Queremos que no Brasil a educação seja instrumento de garantia de emancipação e desenvolvimento e não um meio para o aumento das desigualdades sociais.
Por tudo isso, vemos no PRONATEC uma oportunidade de começarmos a rever o ensino de base no país. Para isso é preciso disputar a formulação e desenvolvimento deste programa para que tenhamos a garantia de que ele será um programa de democratização das oportunidades, de aumento da qualidade do ensino público e não o privado, e para que através dele, o governo aprofunde e priorize a realização de novos modelos educacionais que sejam mais atrativos para o estudante e que garanta sua inserção na agenda de desenvolvimento do Brasil.
Assim, convidamos você estudante secundarista brasileiro para estar conosco na construção destes espaços e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas!
Este ano será o Ano das lutas para grandes transformações na realidade brasileira. Desta forma é preciso que todos os estudantes estejam juntos construindo estas bandeiras.
Estudantes Secundaristas Brasileiros Uni-vos.
Movimento Mudança secundarista

Articulações pelas emendas ao PNE

Posted maio 5th, 2011 in Educação, Movimento Estudantil by decko
Dep. Arthur Bruno PT/CE e Relações Institucionais do Mov. Mudança, Pedro Teixeira

Dep. Arthur Bruno do PT-CE e Direção de Relações Institucionais do Mov. Mudança, Pedro Teixeira

No último dia 05 de Maio de 2011, A UNE e a UBES foram ao Congresso Nacional cobrar dos parlamentares que as 59 emendas ao Plano Nacional de Educação feitas pelos estudantes, sejam incorporadas ao PNE e construídas no congresso.

Num dado momento, nossa Direção de Relações Institucionais, fez a entrega do cartaz da Campanha de 50% do fundo social do pré-sal e de 10% do PIB pra educação aos Deputados Artur Bruno – PT/CE, Dep. Newton Lima – PT/SP.

De imediato os dois parlamentares se comprometeram a estar junto com os estudantes e o Movimento Mudança nesta luta.

O casamento real e a submissão da mulher

Posted abril 30th, 2011 in Artigos by lucasmolinari

Não se fala em outra coisa, o casamento real é o assunto do momento. A mídia faz a cobertura completa: analisa cada detalhe das roupas, da maquiagem, das jóias, da comida, dos custos, dos convidados. Já sabemos como os noivos se conheceram na universidade, de como ele a pediu em casamento e da multidão que se aglomera para ver o príncipe de sangue azul casando-se com a plebéia.

A monarquia britânica vive da tradição, de uma imagem. Já que politicamente, ela pouco influencia na vida da população. Talvez na economia, já que boa parte dos gastos públicos da Inglaterra são destinados ao sustento da pompa e do luxo, da família de sangue azul, que para comandar um país basta: nascer. Seria revoltante, se não tivessem acabado de divulgar uma pesquisa apontando apenas 13% de descontentamento dos súditos britânicos com o regime. (Sim, na Inglaterra não existem cidadãos, existem súditos da família real).

Tentam a cada momento vender a idéia de que Kate, terá o sonho de todas as mulheres, realizado: casar-se com um príncipe, viver um Conto de Fadas digno de Walt Disney. Tanto é, que o foco principal de toda a cobertura midiática sobre o casamento real é na noiva. O seu vestido, o seu passado, a sua maquiagem e até, a sua virgindade, afinal, antes de ser a plebéia que entrará para a família real, ela é mulher. Mulher que será colocada a prova a cada segundo, que terá que seguir os padrões impostos ao posto de princesa o tempo todo. É de chocar qualquer pessoa ler a notícia de que Kate é a primeira princesa que não será obrigada a passar pelo teste da virgindade antes do casamento! E isso ser tratado como uma novidade, como se o natural, fosse ela se submeter ao teste de pureza, ao teste do lacre não violado.

O casamento real é sim um símbolo, de submissão da mulher nos dias de hoje. Da mulher que é obrigada a se encaixar em um padrão, que deve ser modelo de comportamento, que depende de um homem e de um casamento, para ser plenamente feliz e realizada, que deve ser pura e gerar descendentes para a família real: homens, de preferência. Que não sirva de exemplo para uma sociedade que deve ainda trilhar um longo caminho de combate ao machismo.

Camila Moreno – Militante do Movimento Mudança

Mobilização contra mudanças no Código Florestal ganha força dia 28 de abril

Posted abril 26th, 2011 in Meio Ambiente, Notícias by lucasmolinari

Coalizão SOS Florestas.22.04.2011

A coalizão SOS Florestas está convocando uma mobilização nacional da sociedade brasileira para pressionar deputados, senadores e o governo federal a rejeitarem o substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao PL 1876/99 que modificará o Código Florestal Brasileiro. A coalizão é formada por ONGs e entidades contrárias ao substitutivo do deputado Rebelo e, a partir desse momento, POR VOCÊ TAMBÉM. A estratégia é realizar uma jornada de atividades públicas em dezenas de cidades entre os dias 28 e 30 de abril de 2011 com divulgação nas mídias locais para exercer pressão direta sobre parlamentares em seus domicílios eleitorais. Leia abaixo a íntegra da proposta de mobilização.

SOS FLORESTAS: MOBILIZAÇÃO CONTRA MUDANÇAS NO CÓDIGO FLORESTAL

BRASILEIR@S:

Está sendo discutido em Brasília o substitutivo ao PL 1876/99, que altera o Código Florestal. O Código Florestal é o conjunto de leis que ordena a ocupação e a preservação de florestas e outras áreas naturais no país. O relatório de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) enfraquece as leis que protegem a Amazônia, a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga. A proposta também incentiva a ocupação de áreas de risco como encostas de morros e margens de rios nas cidades brasileiras, abrindo espaço para mais tragédias em áreas até mesmo próximas às nossas cidades. Na prática, essa mudança da legislação vai aumentar o desmatamento, provocando mais emissões de gases que causam as mudanças climáticas e acarretando problemas no abastecimento de água das áreas urbanas, além de deslizamentos de terra e enchentes.

Para pressionar deputados, senadores e o governo federal a descartarem o substitutivo de Aldo Rebelo, a coalizão SOS Florestas vai lançar um esforço de mobilização nacional da sociedade brasileira a partir do próximo dia 28 de abril. A coalizão é formada por ONGs e entidades contrárias a este projeto de lei e, a partir desse momento, POR VOCÊ TAMBÉM. A estratégia é realizar uma jornada de atividades públicas em dezenas de cidades entre os dias 28 e 30 de abril de 2011 com divulgação nas mídias locais para exercer pressão direta sobre parlamentares em seus domicílios eleitorais.

Todas as atividades vão utilizar as mesmas mensagens e imagens para fortalecer o movimento. O trabalho será feito de forma articulada com a Frente Parlamentar Ambientalista, que está mapeando os deputados favoráveis à aprovação do substitutivo ao PL 1876/99 para direcionar a pressão e engajando parlamentares contrários àquelas mudanças em apoio às ações de mobilização da sociedade.

Para dar unidade à campanha, a coalizão SOS Florestas está desenvolvendo uma plataforma digital de engajamento no endereço www.sosflorestas.com.br. Nesta página, em breve serão encontrados todos os materiais informativos da campanha, além de links para petições, vídeos, cartilhas, roteiros de idéias, modelos de cartas, textos para envio à imprensa, convites etc. Após a jornada de lançamento entre 28 e 30/04, estes materiais deverão ser usados em escolas, faculdades, centros comunitários e outros espaços coletivos para sustentar a campanha.

SIM, vamos precisar de ajuda para levar a campanha para dentro desses espaços, atraindo mais gente para o debate sobre o futuro das florestas e das cidades brasileiras. O site também vai funcionar como uma vitrine dessa mobilização, reunindo fotos e vídeos das ações realizadas por você e pelos outros parceiros em uma MARCHA VIRTUAL para manter a pressão sobre o governo até que o substitutivo ao PL 1876/99 seja descartado de vez.

COMO PARTICIPAR

1) Confirme o recebimento deste convite e sua participação na jornada de mobilização até o dia 25/04, informando data, hora e local do ato para voluntariado@sosma.org.br e tatiana@wwf.org.br

2) Em breve, encaminharemos roteiro de idéias de atividades que podem ser desenvolvidas localmente. Obviamente, cada grupo local pode realizar sua própria atividade, o roteiro é apenas para inspirar e ajudar. O importante é usar o mesmo logotipo e a mesma mensagem durante a atividade pública.

3) Na semana que vem, também estará disponível um modelo de comunicado de imprensa para você usar com a mídia do seu estado.

4) Crie seu evento na página da campanha no Facebook. Link disponível a partir da semana que vem.

5) Entre em contato por carta/email ou faça uma visita aos deputados federais do seu domicílio eleitoral. Os nomes dos parlamentares A FAVOR e CONTRA o substitutivo ao PL 1876/99 será fornecido pela Frente Parlamentar Ambientalista e constará de uma tabela disponível no site da campanha. Nos mantenha atualizados sobre resultados desses contatos.

6) Participe da Marcha Virtual postando fotos e videos das atividades públicas realizadas na sua cidade. Link disponível em breve.

7) Divulgue o site, a petição online e outros materiais da campanha para escolas, faculdades, centros comunitários, movimentos sociais, empresas, governos locais e outros possíveis parceiros da sua cidade.

8) Dê idéias de como a campanha pode fluir melhor…

Em defesa das florestas e de todos nós,

Fonte: http://www.sosflorestas.com.br

Movimento Mudança Pernambuco rumo ao 38º Congresso da UEP

Posted abril 19th, 2011 in Movimento Estudantil by zecidao

A nossa ousadia deve ser sempre do tamanho dos nossos sonhos. A nossa
responsabilidade tão grande quanto nosso compromisso. As nossas atitudes
maiores do que nossas palavras.


Após participarmos do 13º CONEB realizado no último janeiro na cidade de Salvador e recentemente de volta ao nosso estado depois do 59º CONEG que ocorreu na cidade de São Paulo entre 8 e 10 de abril onde apresentamos em um dos mais altos fóruns do Movimento Estudantil a identidade afirmativa que temos dentro e fora da UNE, estamos preparados para não só demarcar a nossa política como para fazê-la multiplicar-se a cada estudante conquistado e reencantado para o Movimento Estudantil que deve compreender e aplicar concretamente na vida do estudante o sentido da correlação entre a Universidade e a Sociedade.

Em Pernambuco ocorreu hoje o 41º Conselho Estadual de Entidades Gerais (CEEG) da União dos Estudantes de Pernambuco, mais um motivo para cada luta encampada diariamente nas Faculdades e Universidades se tornar fator poderoso na hora de avaliar nossa teoria e prática estudantil, comprovando que a postura militante depende da vontade e iniciativa de fazer acontecer a MUDANÇA: seja na simples distribuição das carteiras em nossa sala de aula até as lutas permanentes pelo avanço das políticas públicas de educação.

Este 41º CEEG da UEP convoca e aproxima-nos do 38º Congresso da União dos Estudantes de Pernambuco que acontecerá entre os dias 17 e 19 de junho na cidade de Garanhuns. Queremos que a estudantada não volte os olhos momentaneamente para este que é o fórum mais importante do Movimento Estudantil de Pernambuco, mas que se volte para uma etapa importante que é a ratificação de nossa luta diária e da construção da nossa história de passagem pela Universidade, através do DA, DCE, ou de qualquer outra iniciativa de transformar a mesmice entediante numa rotina diferenciada e atraente, condizente ao protagonismo da classe estudantil e juvenil.

O Movimento Mudança Pernambuco tem a compreensão de que a luta deve ultrapassar os muros da Universidade, por isso estamos convocando você, estudante e “mudancista”, para compor a campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO neste 38º ConUEP. Mais do que uma tese e uma delegação levadas ao ConUEP queremos realizar esta campanha onde acesso, permanência, gestão democrática, liberdade para organização estudantil e tantas outras oportunidades renegadas pela interferência do modelo hegemônico e individualista sejam motivo de nossa persistência nas
contínuas defesas e conquistas pela melhoria da Universidade.

A UEP tem papel importante na mobilização, formação e intervenção social para fortalecimento e conquista de bandeiras estudantis. O ConUEP é o fórum onde o conjunto do Movimento Estudantil de Pernambuco escolhe a nova diretoria da UEP e aprova as propostas apresentadas pel@s estudantes tornando-as ações que possam ser executadas nos próximos dois anos de gestão, conscientizando e consolidando @s estudantes como células ativas na universidade e conseguintemente na sociedade. A participação diferenciada e qualificada do Movimento Mudança é parte de uma intervenção política que a UEP necessita absorver para os próximos desafios e conquistas no sentido de contemplar as demandas dos estudantes pernambucanos e a nossa educação.

Portanto, car@s estudantes, estamos organizad@s em torno da idéia de que um mais um é sempre mais do que dois. Daremos o tom neste fórum estudantil que tem como histórica e relevante a UEP que Cândido Pinto e tant@s outr@s estudantes como nós ajudamos a (re)fundar e que deve fortalecer toda a rede do Movimento Estudantil para além das salas de aula, aglutinar e envolver sempre mais estudantes no processo de construção de um modelo educacional que inclua cada vez mais e possa estar à altura da nossa incansável luta. Temos demandas das mais simples e rotineiras até as mais complexas e duradouras, mas temos infinitas vezes mais coragem e disposição para transformá-las em conquistas de fato implementadas.

O menor passo em direção à MUDANÇA é grande sinônimo de MOVIMENTO!

Pernambuco, 16 de abril de 2011.

Movimento Mudança Pernambuco

Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão será lançada nesta terça

Posted abril 18th, 2011 in Comunicação, Notícias by lucasmolinari

Será lançada nesta terça-feira (19) a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular. O ato de lançamento contará com a presença de parlamentares e de representantes de organizações da sociedade civil relacionadas ao tema.

As organizações envolvidas na criação da frente argumentam que o ano de 2011 será decisivo para a democratização das comunicações no País. Neste ano, espera-se que o governo encaminhe ao Congresso uma proposta de novo marco regulatório das comunicações. Além disso, estão previstos debates sobre o Plano Nacional de Banda Larga, que pretende massificar o acesso à internet.

“Precisamos somar forças no Parlamento, onde será necessária muita mobilização e pressão para aprovar as alterações nas leis da comunicação a nosso favor”, diz o manifesto divulgado pelas entidades.

Pluralidade
Para os integrantes da frente, os meios de comunicação devem refletir a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira, o que vai dar condições para o pleno exercício da democracia. Eles avaliam que a universalização do acesso à internet também é essencial ao exercício da liberdade de expressão e ao direito à comunicação.

“Hoje, as condições para o exercício dessa liberdade são muito desiguais, já que os canais de mídia, elementos-chave para a efetivação desse direito, estão nas mãos de alguns grupos econômicos cuja prática impõe sérios limites à efetivação da liberdade de expressão do povo brasileiro e é fortemente marcada pela prevalência de interesses privados em detrimento do interesse público”, diz o manifesto.

Objetivos específicos
A atuação da frente vai levar em conta estudos realizados por comissões da Câmara e do Senado e propostas elaboradas por setores da sociedade civil, entre elas as da 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Entre os objetivos específicos da frente parlamentar estão:
- lutar contra qualquer tipo de ação direta ou indireta de censura prévia de caráter governamental ou judicial;
- regulamentação dos artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal, que tratam da proibição de monopólios e oligopólios no rádio e na TV; da existência de mecanismos de defesa contra programações que violem os dispositivos constitucionais; da preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas no rádio e na televisão; da regionalização da programação e do estímulo à produção independente; e da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal;
- apoiar o debate sobre a criação de conselhos de comunicação nos estados;
- defender a ampliação do acesso da população à banda larga, garantindo a universalização do serviço, preços acessíveis e qualidade do serviço ofertado;
- trabalhar pela liberdade na internet, tendo como parâmetros a proteção à neutralidade de rede e ao direito à privacidade e à liberdade de expressão;
- defender a ampliação da participação popular no acompanhamento e regulação do sistema de comunicações;
- defender transparência, regras e procedimentos democráticos em outorga e renovação de concessões, permissões e autorizações de rádio e TV;
- contribuir para o fortalecimento do sistema público de comunicação, inclusive rádios e TVs comunitárias;
- defender os direitos de grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, mulheres, negros, indígenas, população LGBTT e pessoas com deficiência, no tocante às questões de comunicação;
- contribuir para o fortalecimento de pesquisa e adoção de tecnologias nacionais nas diversas etapas da cadeia produtiva das comunicações;
- estimular medidas que fortaleçam a educação para a prática e a leitura da comunicação, de maneira formal e informal, entre os estudantes do ensino fundamental e médio.

A frente foi proposta pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que participa de sua coordenação provisória, juntamente com os deputados Emiliano José (PT-BA), Jean Wyllys (Psol-RJ), Luciana Santos (PCdoB-PE) e Paulo Pimenta (PT-RS). Durante o ato de lançamento, será escolhida a coordenação permanente da frente e aprovado seu manifesto e estatuto.

O lançamento da frente parlamentar está previsto para as 14 horas, no auditório Nereu Ramos, na Câmara.

Da Redação/PT
Fonte: Agência Câmara de Notícias

O Movimento Mudança na luta pela democratização da Educação brasileira

Posted abril 15th, 2011 in Manifestos, Notícias by lucasmolinari

Tema central para o movimento estudantil, não é necessário falar que Educação é a base da cadeia de discussão política dentro de todo nosso movimento. Desta bandeira há o desdobramento de todas as lutas encampadas pela gloriosa União Nacional dos Estudantes e o movimento estudantil.

Dentro desta perspectiva, durante anos a UNE e toda a sua rede de militantes e entidades que a compõem, lutam para estabelecer uma educação que possa responder aos anseios de um mundo e de uma sociedade que consiga dialogar para além da ótica de mercado. Uma educação que possa acomodar perfeitamente os anseios libertários do movimento estudantil, o aprendizado técnico e a emancipação da nossa sociedade através da democratização do saber.

Entretanto a ditadura empresarial militar e a sua repressão frente aos movimentos sociais, que golpeou toda tentativa de progresso e libertação social, ajudaram a difundir e estruturar o poder do sistema financeiro nacional, o poder midiático de consumo e a força de soberania da elite dominante para com os projetos do Estado.  Além disso, o neoliberalismo advindo da abertura política que provocou a dispersão e virtualização da sociedade, o individualismo e a aversão para com toda organização política. Trazem um grande desafio para o movimento estudantil e consequentemente para a União Nacional dos estudantes.

Principalmente neste novo momento que passamos no Brasil em que a abertura política, o fortalecimentos das instituições, o alargamento da democracia e o crescimento econômico com distribuição de renda que foram conquistados no governo LULA I e LULA II,  que tendem a ser aprofundado no governo Dilma.

Entre os grandes desafios deste novo paradigma que o Brasil vive e que o movimento estudantil junto a UNE devem enfrentar ainda neste início de década para que possamos influenciar de fato nos rumos de uma nova sociedade comprometida com o desenvolvimento do país, a distribuição de riquezas e o nivelamento das injustiças com a emancipação do ser humano, estão:

    -Reverter o quadro de dispersão social na sociedade envolvendo cada vez mais alunos na luta pela construção da entidade e do movimento estudantil. Isso só será possível quando buscarmos cada vez mais, irmos de encontro a cada curso e faculdade deste país para fazer luta desde a base do movimento estudantil, os CA’s e DCE’s, até a União nacional dos estudantes. É preciso pensar também em um novo sistema de eleição da diretoria da entidade, da plenária final e de espaços nacionais de luta e mobilização. Além de serem mais atrativo para o estudante, consigam trazer a luta da universidade no dia a dia, para a pauta nacional. Por isso defendemos as Diretas, só ela poderá resolver nosso problema de aproximação da entidade nacional com o cotidiano dos estudantes.
    -Construir uma nova ótica que rompa com a educação tecnicista em que o objetivo final é preparar para o mercado, sendo a universidade apenas um meio para atingir este objetivo e não um fim para a democratização do saber e a emancipação da sociedade;
  • Provocar a aprovação de um projeto em que a educação brasileira, em sua política de longo prazo, venha ter cada vez mais espaço para democracia interna, mais recursos pra valorização do magistério, mais espaço para que o estudante se sinta bem dentro da universidade, além da retomada da responsabilidade pelo Estado na educação para que tenhamos cada vez mais universidades públicas e que o ensino privado seja enfim regulamentado.

A UNE na luta pela aprovação do PNE

Não é possível conseguirmos isso sem que o PNE seja aprovado com as 59 emendas que a UNE encaminhou ao parlamento, principalmente as que destinam 10% do PIB e 50% do fundo social do pré-sal para a educação. Garantindo a expansão do ensino superior em 40%, sendo 60% deste total em matrículas na rede pública, criação do fundo nacional de assistência estudantil com 2% das verbas do MEC para atender a demanda das universidades públicas. 2% do lucro líquido das IES particulares para atender aos seus alunos, a gestão democrática e principalmente a regulamentação do setor privado que vem dia-a-dia transformando a educação em mercadoria e as universidades em empresas transnacionais.

Democratização da Educação já! Por uma educação de todas e de todos nós!

Por isso tudo o Movimento Mudança traz como um grande desafio ao 52º CONUNE que será realizado na cidade de Goiânia entre os dias 13 e 17 de julho, a democratização da educação.

Só uma política educacional que garanta mecanismos democráticos de participação, em que cada comunidade acadêmica possa interferir na política de sua instituição através de mecanismos de consulta como o orçamento participativo, a gestão democrática com eleições em todas as instâncias, além da transparência e publicidade dos atos dados, é que podemos de fato avançar na formulação de uma educação verdadeiramente comprometida com a sociedade. Uma educação que consiga dialogar tacitamente com a rebeldia da juventude e um compromisso de País.

Estamos vivendo um novo ciclo em que o ano de 2011 será definidor para o Brasil que queremos nos próximos 10 ou 20 anos.

Escolher o caminho errado, sem ouvir os estudantes e sem criar mecanismos de ampla participação e democratização da informação tanto na UNE quanto em cada IES do país, levará o Brasil a perder a oportunidade mais esperada de sua história: A revolução através da educação que levará a humanidade e não o capital a ser o centro de qualquer ação, tornando-se um país mais humano, justo e solidário.

Cabe a União Nacional dos Estudantes, neste fórum máximo de sua existência, garantir que todos os estudantes do Brasil, venham pactuar a nossa luta por este novo tipo de educação que queremos ter. Uma educação que além de preparar a sociedade que irá desenvolver o país do futuro, preparará também o ser humano que racionaliza recursos, que pensa o meio ambiente como fator determinante nas suas decisões, que respeita e trabalha lado a lado com as diferenças e minorias, que se vê no outro e que iguale as condições entre os homens.

Sabemos, entretanto, que não será o 52º CONUNE que irá trazer para nós, estudantes brasileiros, todas as respostas por nossos anseios, mas, sem dúvida deverá ser ele quem dará o norte para o caminho que buscamos.

Que venha o 52º CONUNE da UNE, pela democratização da educação e da informação e por uma UNE que consiga agregar as massas estudantis nesta luta!

Movimento Mudança

São Paulo, 13 de abril de 2011

Entrevista: jornalista fala sobre meio ambiente, paz mundial e consumo

Posted abril 14th, 2011 in Notícias by lucasmolinari

capa.jpg
“A suposta riqueza que geramos acaba por empobrecer nossas vidas” / Foto: Divulgação

Nascida na Argentina, descendente de búlgaros e russos e radicada no Brasil desde 1971, a jornalista Lia Diskin se tornou um dos maiores nomes quando o assunto é estudos pela cultura de paz. Especialista em técnicas de meditação e em filosofia budista na Índia, teve o Dalai Lama como um de seus professores e hoje se dedica àAssociação Palas Athena, um centro de estudos filosóficos sem fins lucrativos dedicado à educação e à assistência social, do qual é co-fundadora.

Lia é conselheira para assuntos latino-americanos do Comitê Internacional Pró-Tibet, e responsável pelas visitas do Dalai Lama ao Brasil, além de ser membro do Fundo Mundial para a Natureza (World Wildlife Fund), coordenadora do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz (um programa da Unesco) e vencedora do Prêmio Internacional da Jamnalal Bajaj Foundation na Índia, pela difusão de valores gandhianos fora do país em 2010, e do Prêmio Transformadores da revista TRIP em 2010.

Em conversa com o Portal EcoDesenvolvimento.org, Lia falou sobre a atual situação do homem e sua relação com planeta, e compartilhou suas visões sobre consciência, cidadania e busca pela paz.

Portal EcoDesenvolvimento.org: A senhora uma vez afirmou que estamos “caindo na real” sobre a nossa situação atual com o planeta e que essa desilusão será saudável para a humanidade. Como a senhora vê esse momento de turbulências e buscas (talvez um pouco tardia) por soluções, e como esse processo pode ser benéfico para a sociedade?

Lia Diskin: Hoje dispomos de informações suficientes para saber que os quase sete bilhões de habitantes da Terra consomem por ano o equivalente a 1,4 vezes os recursos existentes e oferecidos pelo planeta. Sabemos também que 23% da energia global é consumida pelos Estados Unidos, cujo número de habitantes representa apenas 5% da população mundial, e que se todos consumíssemos nos níveis dos americanos, precisaríamos de 5,4 planetas Terra para nos sustentar. Portanto, a equação não fecha – temos de reduzir o consumo, deixar de desperdiçar recursos que são vitais para países e comunidades que sequer têm acesso a água potável ou alimento suficiente para atender suas necessidades mais básicas. Mais uma vez, nos Estados Unidos 27% dos alimentos oferecidos para consumo acabam na lata do lixo, e se um quarto desses alimentos pudesse ser aproveitado teríamos saciado a fome de 20 milhões de pessoas por dia! A consciência é um primeiro passo essencial para nos levar à ação transformadora.

Ainda vivemos em uma sociedade onde se busca acumular bens, ostentar riquezas, ressaltar individualismos, tudo de forma imediata. Qual o impacto disso?

O impacto é suicida. A suposta riqueza que geramos acaba por empobrecer nossas vidas. Um exemplo interessante para se analisar é a presença dos carros nas grandes cidades – a quantidade exagerada de veículos simplesmente inviabiliza o deslocamento das pessoas, polui o ar a níveis considerados perigosos à saúde, é fonte de ruído constante, dia e noite, prejudicando a qualidade do sono das pessoas e, em longo prazo, sua audição. Conclusão: o estresse é de longe a queixa mais frequente dos cidadãos, que acabam por ser consumidores dependentes de ansiolíticos, analgésicos e medicamentos para problemas estomacais.

A cada ação corresponde uma reação de igual intensidade, como nos ensinou a física clássica. Todo excesso provoca desequilíbrio. Quando o repertório de valores que uma sociedade cultiva está em descompasso com a rede de Vida à qual pertencemos, as consequências sempre são dolorosas. Temos nos esquecido de que integramos um único sistema Vivo, com suas infinitas ligações, variáveis e potencialidades. Fora dessa rede, nada se sustenta.

img03.jpg
Para Lia, a nova geração está mais preparada para gerir um mundo sustentável / Foto: Gavin Stewart

O mercado, a mídia e outras instituições sociais reforçam diariamente essas questões e confundem nas mentes a diferença entre necessidade e desejo. É possível vencer isso e criar uma consciência coletiva capaz de modificar o comportamento das pessoas em nível global? Como?

Não acredito que em curto prazo tenhamos essa possibilidade de conscientizar o planeta inteiro. Isso requer uma mudança de modelo civilizatório: deixar de privilegiar o poder, o domínio e o controle para dar lugar à parceria, ao compartilhamento, à solidariedade. Alguns sinais significativos já estão em curso: nossas crianças já recebem conhecimentos sobre ecologia, sustentabilidade e valor nutricional dos alimentos desde as creches. Os que hoje são adultos não receberam tais informações nos bancos escolares. Nossos jovens já começam a questionar seriamente o uso do carro, muitos estão aderindo à bicicleta para se locomover nas cidades e, quando isso não é possível, optam por transporte público ou carona solidária. O movimento mundial de ações humanitárias desloca jovens da classe média e alta para regiões e comunidades em estado de penúria ou calamidade natural. Muitos abrem mão de suas férias para oferecer ajuda aos necessitados. O mesmo podemos observar em empresários bem-sucedidos ou famílias abastadas que criam fundações de amparo, projetos de empreendedorismo ou assistência direta, e se envolvem pessoalmente nas ações, antes delegadas a entidades religiosas ou do terceiro setor.

A resposta para nossos dilemas está no desprendimento, na simplicidade, na liberdade (material, espiritual, de valores e sentimentos)?

Talvez as respostas passem também pela ampliação de nossos conhecimentos. As visões sistêmicas que hoje estão permeando a biologia, a antropologia, a medicina e mesmo a educação são unânimes em apontar a necessidade de integrarmos natureza e cultura, corpo e mente, matéria e espírito. Sabemos que essa separação ou fragmentação da realidade foi uma armadilha montada pela nossa arrogância, cujas consequências estamos procurando reparar.

O ser humano se distanciou do essencial, da sua natureza, do contato com o meio ambiente, e acabou se perdendo em meio a isso. Existe um movimento de retorno? Quais as consequências disso?

Sim, existe um movimento visível de retorno. Você pode vê-lo refletido no lugar menos esperado: na publicidade. A oferta de produtos hoje está associada a uma mensagem, nem sempre autêntica, mas que afirma a responsabilidade com o meio ambiente, o benefício social que promove, o respeito com o consumidor, destaca os valores familiares, o cuidado, a dimensão afetiva, condena o desperdício e busca um vínculo de fidelidade. Esse é um repertório novo, muito menos impositivo, mais humilde e consciente do poder que o consumidor detém.

Algumas pessoas defendem que, com algumas adaptações, é possível tornar nosso estilo de vida mais sustentável, mas ainda mantendo princípios como o consumismo e a busca pela riqueza e conforto. Isso parece um pouco contraditório. É possível?

As mudanças duradouras nunca são radicais – ao menos é isso que nos mostra a história. E as mudanças acontecem, de fato, quando a realidade impõe dinâmicas que não conseguem se sustentar através dos processos ou ações vigentes. Portanto, a criatividade, a capacidade de inovar e confiar na experiência adaptativa de nossa espécie e de qualquer ser vivo podem contribuir para minimizar as resistências a tais mudanças, que possam a ser vistas não como ameaça, mas como adaptação necessária ao crescimento e ampliação de conhecimentos.

img02.jpg
Segundo Lia, a violência do século 20 devastou as populações material e espiritualmente. Nesse cenário surgiram os primeiros estudos sobre a paz

Apesar desse cenário, também vivemos um momento em que diversas manifestações mundiais apontam para uma vontade coletiva pela cultura da paz. Algumas coisas parecem estar mudando. Existe algum dilema existencial nisso? De um lado, a ânsia pelo consumismo e prazer imediato, do outro, aspirações coletivas em busca da paz e equilíbrio com o planeta…

O século 20 foi, sem dúvida, o mais violento da história humana. Em grande medida pela sofisticação e eficiência que os equipamentos de guerra ganharam, mas igualmente pela presença de três totalitarismos devastadores: nazismo, fascismo e stalinismo. Os três conseguiram a “proeza” de 111 milhões de mortos em combate direto. Cada soldado tem uma rede de relações: ele é filho de alguém, talvez marido, pai de família, possivelmente tem irmãos, amigos e colegas de profissão. Isso significa que muitos milhões mais foram atingidos pelas guerras que se sucederam na primeira metade do século passado.

A Europa inteira ficou devastada, material e espiritualmente. É nesse cenário que começaram a emergir os estudos sobre a paz. Criou-se a Organização das Nações Unidas (ONU) e, poucos anos depois, a UNESCO, cuja missão precípua é educar para a paz, a diversidade cultural, o diálogo entre as religiões e tradições espirituais. É a UNESCO que, na década de 1990, convocou as nações do mundo a refletirem sobre as múltiplas violências diárias que praticamos sem sequer nos apercebermos delas, nem as considerarmos propriamente violências. Humilhar alguém com palavras rudes e ironias, ignorar a presença de pessoas cujas profissões consideramos menores, tais como as que executam serviços domésticos, de limpeza, garis, lixeiros, engraxates, etc. Dar ordens a funcionários de forma autoritária ou chamar a atenção dos mesmos em público. Puxar a orelha ou dar palmada com propósitos “pedagógicos” que resultam em deseducação e expressão de abuso de poder.

Estas reflexões que se organizam em estudos sistematizados estão revelando a invisibilidade de certas violências, que se perpetuam simplesmente porque ninguém as denuncia como tais. Isto, o reconhecimento de comportamentos, atitudes e interações como sendo um obstáculo à convivência saudável e desejável, já é um avanço significativo que temos de celebrar e, mais, promover sua disseminação.

A senhora também já comentou que “a violência é a ausência do direito”, e está presente especialmente entre os mais vulneráveis. Existem muitos interesses em manter essa estrutura, e muitos poderes capazes de fazer isso. Como fazer com que os que não conseguem impor seus direitos possam vencer essa situação e acabar com a violência?

Penso que a violência beneficia a vários setores da sociedade: desde logo a indústria bélica, a indústria farmacêutica que lucra cada vez mais com os antidepressivos e correlatos, os produtores de bebidas alcoólicas cuja ingestão abusiva provoca alterações comportamentais que dão a sensação de força, coragem, expansão e perda de medos ou escrúpulos (e, portanto, preparam para a violência). E, nas grandes cidades, a indústria da segurança, cujo crescimento nas duas últimas décadas quase que centuplicou. No Brasil de hoje a segurança privada conta com mais efetivos do que os integrantes das corporações policiais. Aliás, a indústria em geral ganha, pois, como sabemos, um indivíduo fragilizado tende a comprar para compensar suas carências – de segurança, de afeto, de tranqüilidade, etc.

Contudo, ninguém está seguro ou em paz. Todos nós perdemos. Os filhos dos empresários da indústria armamentista também têm de ir à escola, frequentar um clube, ir ao cinema. Esses lugares, por mais exclusivos que sejam, também se tornaram vulneráveis e potencialmente perigosos.

Perceber em profundidade leva a superar “verdades” que se enraizaram através do preconceito através da reiteração pelos meios de comunicação, que distorcem os fatos e caricaturam situações e personagens a serviço de interesses escusos.

O que é “sustentabilidade” para a senhora?

É participar das limitações e oportunidades que nos oferece a teia da Vida e, fazendo eco a Confúcio, quando nos disse: “Nada é o bastante para quem considera pouco o que é suficiente”. É valorizar e agradecer aquilo que se nos oferece com a chegada de cada dia.

Fonte: Portal EcoD – www.ecod.org.br