III Congresso Nacional do Movimento Mudança

A Direção Nacional do Movimento Mudança apresenta a síntese dos debates realizado nas dependências da UFRJ durante a realização da 8ª Bienal de Artes e Cultura da UNE. O congresso contou com mais de 200 estudantes de todo o país, que durante 3 dias debateram sobre educação, conjuntura nacional e internacional, revolução democrática, combate a opressões, meio ambiente e movimentos sociais.

Além disso, tomou posse a nova direção do movimento, que agora integra em um único corpo executivo, as direções do movimento universitário e movimento secundarista.

A nova gestão é composta por:

Camilo Vanni, Organização
Érika, Mobilização
Decko, Comunicação
Valdir, Organização
Débora, Comunicação
Mari, Formação
Lara (Diretor de Mie-Ambiente da UBES)
Pedro, Relações Institucionais
Marcello, Tesoureiro
Thalita, Diretora de Assistencia Estudantil na UNE
Mulambo, UBES

Educação

Participação do Movimento Mudança (MM) na luta por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação;

Participação do MM na garantia dos 50% do Fundo Social do Pré-Sal na educação, para a garantia da democratização do Ensino Superior;

Maior participação do MM na pauta educação, instaurando-se no MM uma pasta com o tema Educação;

Participação do MM nos conselhos fiscais de educação, a fim de garantir uma melhora na aplicação das verbas da Educação Pública;

Luta do MM pela valorização do Professor;

Luta do MM pelo financiamento estudantil.

Plano Nacional de Educação

O Plano Nacional de Educação está em seu segundo documento. O primeiro, instituído pelo governo Fernando Henrique Cardoso – PNE 2000/2010 -, não teve sucesso, pois seu projeto estabelecia mais de 300 metas e isso impossibilitou a conclusão e avaliação da aplicabilidade de muitas delas. O novo Plano Nacional de Educação (PNE) 2011/2020, vem com a proposta de ter sua aplicação facilitada e com o diferencial de suas metas poderem ser avaliadas e até terem uma guinada de rumo caso necessário, o que ajudará na sua conclusão. O PNE 2011/2020 tem apenas 20 metas e visa, principalmente, a valorização do professor e a qualidade da educação pública, o que podemos dizer como ganho enorme para o país, pois visa assim à democratização real da educação.

Assim o Movimento Mudança vê nesse Plano Nacional de Educação 2011/2020 uma oportunidade de o País se desenvolver como nunca vimos antes, pois achamos que é através da educação que se constrói uma sociedade igualitária, livre e bela. Dessa forma, pretendemos lutar por um PNE democrático como o que tramita no Congresso Nacional desde 15 de dezembro de 2010, feito pelas mãos de vários setores da sociedade civil brasileira, feito para e pelo povo. Achamos que o dever do MM, no que diz respeito ao novo PNE 2011/2020, é lutar pela sua implantação de maneira satisfatória e militante, estando presente nos atos e nas lutas por um PNE real. Porém acreditamos que nosso País pode investir bem mais na educação do seu povo, pois através dela iremos alcançar uma sociedade justa e desenvolvida, destarte, estamos dispostos a colocar o MM nas ruas por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação, pela regulamentação do ensino privado, por mais assistência estudantil nas Univeridades e por 50% do Fundo Social do Pré-Sal destinados a democratização do Ensino Superior no Brasil.

O PNE, porém deve ser reavaliado quanto aos seus posicionamentos feitos frente ao financiamento estudantil, pois acreditamos que o movimento estudantil, e os estudantes em geral, necessitam de um auxílio para que os mesmos possam ter sucesso na educação, tendo assim a educação democrática em nosso Brasil. O MM acredita que está passado da hora de irmos a luta pela valorização do professor, e nós encampamos esta luta nesse momento histórico onde o governo dialoga com a população sobre suas políticas de Estado.

Por uma educação pública e de qualidade, exigimos 10% do PIB para a educação, 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, financiamento estudantil, regulamentação do ensino privado, democratização do Ensino Superior, democratização da educação pela base no ensino médio e, principalmente, valorização do professor em todos os níveis de ensino. O Movimento Mudança agindo na sociedade pela sociedade, pois “nós somos a MUDANÇA que queremos ver no MUNDO!”

Conjuntura Nacional e Internacional

Nossa análise de conjuntura parte da derrubada do murro de Berlim. Com a queda do Muro de Berlim, o marxismo sofreu uma derrota que deu início a uma campanha burguesa de desconstrução do socialismo, associando-o a anti-democracia. Consolidando assim o sistema neoliberal de governo, e com ele o individualismo.

O discurso marxista está muito presente dentro dos movimentos sociais, inclusive dentro do ME, porém não encontra respaldo na sociedade, onde o sonho da construção de uma sociedade socialista não é compartilhado por todos, muito por conta da campanha desconstrutiva por parte da mídia, das grandes elites, dos latifundiários e da classe alta que constroem a ideia de que o socialismo é sinônimo de perda de liberdade, restrição econômica e centralização das decisões políticas, associando-o sempre ao velho discurso da revolução armada, como forma de tomada de poder. No entanto, sabemos que no contexto atual ela não é mais possível devido ao fortalecimento do Exército Nacional, do Estado e de seu aparato repressor, da Moeda Nacional e do controle das importações e exportações.

Diante disso, os movimentos sociais de hoje encontram um desafio: Adaptar as praticas marxistas no contexto cultural e social do país. Pensar um novo modelo de socialismo, a fim de gerar uma revolução legitimada pelo povo, revolução essa que chamamos de Revolução Democrática.

A revolução democrática, parte do principio de que, uma vez admitida a derrota do modelo de socialismo clássico, devemos tomar os espaços de decisão política e fazer a disputa com a direita, com as posições centristas e com a própria esquerda dentro dos espaços institucionais, dos partidos políticos e do movimento social. Porém, sem abandonar a luta nas ruas, o contato com base, e organização em massa. Para isso devem-se alargar os espaços democráticos e de participação popular. Sendo este um processo lento e gradual, porém pacifico e sólido, garantindo assim a emancipação plena, o desenvolvimento cidadão e a verdadeira liberdade social.

Dessa forma, entendemos que a revolução democrática que queremos não se dará sem antes aprovarmos o projeto de reforma política, que acabe com o financiamento privado, com as regalias dadas pelo Estado aos que deveriam ser representantes do povo, que fortaleça os partidos políticos e conteúdos programáticos de sua plataforma em detrimento do personalismo político e que dê ao povo o poder de decisão soberana na condução do governo e não apenas na hora da eleição.

Além disso, é preciso uma ampla reforma do Poder Judiciário. A Justiça tem que se encaminhar cada vez mais para a justiça social o rigor com a igualdade e a liberdade e com o fim do conservadorismo, da impunidade e dos privilégios dos que atuam na área jurídica, contribuindo para sacralização do Direito e manutenção inquestionável do status quo do Estado, dificultando a igualdade real do homem.

Por fim, democratizarmos os meios de comunicação, e acabarmos com o modelo tecnicista em que se enquadra a educação hoje e contribuindo para um amplo desenvolvimento cultural da sociedade a fim de ganharmos corações e mentes em nome da Revolução.

Para isso propomos a ampliação da extensão universitária, universalização do acesso ao ensino superior gratuito, de qualidade e sócio referenciado, ampla reestruturação do ensino médio, básico e superior, que discuta projetos como REUNI, PROUNI, PROJOVEM, acesso e permanência e assistência estudantil além de ser primordial a garantia de 10% do PIB para a educação, e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação.

A Revolução Democrática

O movimento mudança, pautando-se pela revolução democrática de transformação da sociedade pelo viés socialista e gradual, deve-se prezar em sua plenitude pela radicalização da democracia.

Para isso, é mais que necessário que esta prática seja cotidiana dentro do Movimento. É somente com um monte de gente construindo junto o projeto de movimento estudantil que queremos disputar na UNE, que faremos a transformação real da educação brasileira, as Diretas Já na União Nacional dos Estudantes e uma nova cultura política do movimento estudantil.

Não é possível defender a Revolução Democrática no País, o alargamento da democracia Estatal, se não conseguimos garantir os espaços de decisão democrática dentro de nosso próprio movimento e de onde disputamos.

É preciso de imediato que a nova Direção Nacional garanta que os Estados participem dos processos de construção de táticas e estratégias do Movimento Mudança, bem como dos espaços de construção coletiva de nossas lutas. É necessário que todos os Mudancistas realmente sejam parte do processo de organização do Movimento Estudantil Nacional.

Só assim será possível radicalizarmos a base, reafirmando nossos ideais e chegarmos ao CONUNE fortes, concisos e com muito movimento, fazendo na disputa deste fórum, a legitimação de tudo aquilo que realmente acreditamos, pois, Mudança é Movimento e movimento democrático.

Combate a Opressões

Igualdade racial

Nós, defensores da igualdade racial, entendemos que é de forma organizada dentro de cada escola e universidade que conseguiremos acabar com todo o tipo de discriminação racial existente na nossa sociedade.

Entendemos o Brasil como um país de várias raças, credos e culturas e é só com respeito a essa diversidade que conseguiremos conviver de forma harmoniosa, atendendo suas necessidades individuais e coletivas dentro dos seus espaços de atuação social. Os negros e negras, os(as) indígenas e povos do campo, historicamente tem vivido um processo de exclusão em nosso país. O nosso projeto de desenvolvimento também passa pelo respeito à diversidade do povo brasileiro. Somos defensores de uma nova cultura política no movimento estudantil onde os negros e negras, os povos indígenas e populações do campo sejam atores e atrizes do processo de desenvolvimento social e econômico

Portanto, hoje, no III Congresso Nacional do Movimento Mudança, fundamos o Coletivo de Igualdade Racial do Movimento Mudança, com o objetivo de estudar e propor ações internas e externas que sejam inovadoras e factíveis no que tange ao posicionamento de nossas bases militantes como protagonistas desse debate no meio em que se inserem.

De forma que o nosso posicionamento deve ser compatível com a grandeza e a interdisciplinaridade do tema, abrindo espaços para debates e convocando os demais companheiras e companheiros a construírem uma conjuntura em todas as esferas de acordo com o nosso Movimento Mudança e seu posicionamento ideológico. Destacando a necessidade de que tais sociedades devem ser contempladas e inseridas na formulação política do coletivo, fazendo com que este represente integralmente a pasta de discussão sobre Igualdade Racial, partindo da perspectiva de que se deve promover uma educação étnica nas bases.

Combate a homofobia

Atualmente o Brasil está incluído entre um dos países mais homofóbicos do mundo. De acordo com os Direitos Humanos todos e todas tem o direito de ir e vir, entretanto atualmente no Brasil o individuo que se assume homossexual tem 78 direitos negados (dados: Grupo Gay da Bahia) por consequência da sua orientação sexual.

Os meios educacionais não estão isentos de tal restrição, em media de 75% de homossexuais travestidos não conseguem terminar o segundo grau, isso causado pela falta de preparação do corpo docente que não sabe lidar/preparar a formação de respeito dos demais alunos. O resultado disso se reflete nas universidades e os que ainda chegam sofrem de discriminação nos cursos escolhidos.

Em 2008 o Governo Federal deu um grande passo para a superação do preconceito em nossa sociedade com a realização da I Conferência Nacional LGBT. O encontro propôs políticas publicas para esse segmento social e a elaboração do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT. Muitas MUDANÇAS já aconteceram, mas precisamos de MAIS, o índice de crime de ódio não diminuiu: a cada dois dias morre um homossexual. A repressão da orientação sexual, apesar de, às vezes silenciosa, priva-os de ser o que realmente são para continuar vivendo como um ser “normal” na visão da maior parte da sociedade. Diante disso, é indispensável para que se avance na discussão com esse grupo social, que tenhamos uma política que criminalize a homofobia.

Nós do movimento estudantil temos de encarar e discutir essa pauta com muita seriedade. Afinal, são Direitos Humanos que estão em jogo e esses direitos são para TOD@s.

Mulheres em todos os espaços

As opressões são camufladas. Assim também o é quando falamos de machismo. A cultura que impõe tarefas específicas aos gêneros desqualifica as mulheres e desconstrói paulatinamente um possível panorama de justiça e igualdade. É necessário observar que apesar da eleição para Presidente da República, a bancada feminina diminuiu de tamanho na câmara dos deputados e nos Governos Estaduais. Felizmente o processo foi inverso no Senado, onde passamos de 8, para 10 senadoras. Um exemplo relevante é que dentro dos próprios partidos, as mulheres não ocupam cargos de direção, já saindo em desvantagem para corrida eleitoral.

O índice mundial confirma: segundo pesquisa da ONU do início do ano, apenas 15 países tinham mulheres como chefe de estado ou governo, e apenas 19,1% ocupavam cargos parlamentares. Os números são irrisórios.

Acontece o mesmo na Universidade. Nos Diretórios e Centros acadêmicos essas práticas se repetem, deixando as estudantes à margem processo político. Esse legado deve ter fim, mas isso só vai acontecer com mobilização e conscientização. Construir coletivos de mulheres é um excelente começo. Levar para o centro do debate políticas de assistência estudantil, como construção de creches nas Universidades Federais, segurança nos diversos campi –cenário de constantes violências físicas e morais-, debates de gênero, produção de conhecimento não-sexista, discussão sobre a programação visual de festas e calouradas que não oprimam e/ou vendam a imagem descaracterizada da mulher, são atitudes que certamente farão a diferença.

O Movimento Mudança repudia qualquer tipo de opressão! Constrói coletivo de mulheres nas universidades porque a auto-organização é fundamental para combater o machismo, porque para construir um país, uma universidade, um parlamento justo e democrático. Sanar uma dívida histórica com as mulheres e mirar um futuro maior, compartilhando os espaços de poder, quiçá numa sociedade fraterna e coletiva!

Meio Ambiente

O debate acerca de meio ambiente sob a perspectiva dos estudantes brasileiros não pode mais nortear-se sob o romantismo de uma preservação dissociada da realidade social em que vivemos. Devemos elucidá-lo tendo como norte a interligação que o tema tem com a luta de classe e com o projeto de desenvolvimento da nação, temas como o pré-sal a soberania amazônica as mudanças do código florestal e as implicações que as conferências internacionais tem sob a vida da população, devem estar no centro dos debates do movimento estudantil.

O pré-sal não pode ser tratado pelo movimento estudantil somente sob a perspectiva econômica e os dividendos que podem ser gerados e que devem ter parte direcionado para educação, mas deve ser debatido sob o prisma de um olhar socioambiental pontuando-se a importância de se buscar novas fontes de energia alternativa, a ampliação dos investimentos em tecnologias limpas e o jogo de interesse vigente na manutenção de combustíveis fosseis como principal energia motora da sociedade.

A Amazônia, maior reduto de florestas do globo, deve receber uma atenção especial nos debates; a educação deve ser uma ferramenta para que a preservação dessa floresta valorize não somente os recursos dos quais ela dispõem, mas também a diversidade de culturas e saberes que das populações que a habitam. A luta pela soberania brasileira e da América do Sul sobre essa floresta deve ser encampada por cada estudante em um movimento de afirmação da importância estratégica dessa floresta para a manutenção de um ambiente socialmente justo.

Ações como a mudança do código floresta, sem o amplo debate com a sociedade devem ser tomadas como arbitrariedades, assuntos que colocam em jogo todo o ecossistema brasileiro devem ser tratados não somente no âmbito do Estado, mas devem ser colocados a prova em debates com a sociedade em amplos processos de consulta.

Conferencias como a ECO-92 que colocou em pauta a sustentabilidade como alternativa para o desenvolvimento do planeta, e que trouxe a tona questões como as mudanças climáticas e a necessidade de adoção de medidas de contenção na emissão de carbono, tiveram pouco o nenhum efeito efetivo, fato observado através de resultados dessas conferencia como o tratado de Kioto que tinha como foco inicial as emissões oriundas de fabricas e da queima de combustíveis fosseis não assinado pelos maiores poluidores e o de Copenhague que tentou transferir a responsabilidade de manutenção de um planeta sustentável para as florestas tropicais, mostrando o claro falseamento da realidade na busca de responsabiliza os países ditos “subdesenvolvidos” pela conta dos ditos “desenvolvidos”.

Perspectivas como essa devem ser apresentadas de forma clara para os estudantes que devem compreender que a defesa das florestas deve ser feita interligada com a luta dos trabalhadores.

Movimentos Sociais

Desde que a sociedade começou a se organizar homens e mulheres perceberam que sem a organização coletiva a sociedade havia de se tornar uma imagem maquiada do imperialismo no país.

Esses homens e mulheres se depararam com um grande obstáculo, que era a mobilização popular das massas aos “movimentos sociais”. Graças à desmotivação política implantada nos ambientes populares, casas de família, escolas publicas, etc. e assim uma formação alienadora fica assim determinada negando a formação política aos jovens do país.

Com a contribuição maléfica da mídia e dos meios de comunicação comprometidos com um projeto sistêmico, capitalista com o intuito de despolitizar a juventude fazendo de sua influencia uma tática configurada em noticias manipuladoras e propagandas enganosas, centralizando e condicionando a opinião publica.

A preparação popular com informações de qualidade e um bom cultivo de virtudes revolucionárias garantindo gradual quebra na criminalização e boicotes nas iniciativas espontâneas de um povo que percebe que só sobrevivera em comunhão.

“Afinal todo ser necessita de movimento, pois aqueles que não se movimentam não percebem as grades que te cercam”.