Conflito entre MST e seguranças deixa 9 feridos em fazenda de Dantas

Posted abril 19th, 2009 in Destaque by thiago

Fazenda foi ocupada em 27 de fevereiro

Pelo menos nove pessoas ficaram feridas num grave confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seguranças armados da Fazenda Espírito Santo, em Eldorado do Carajás, no Pará. Entre os feridos, há oito sem-terra e um segurança. Há pelo menos dois feridos em estado grave.

A fazenda pertence à Agropecuária Santa Bárbara, que tem como um dos sócios o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. ” Foi uma armadilha. Quando os trabalhadores chegaram, foram humilhados. Fizeram eles cheirar grama, cheirar botas ” Eldorado do Carajás é o município onde ocorreu a chacina de 19 sem-terra, em abril de 1996. Ontem à noite, o clima ainda era muito tenso na fazenda. A sede da propriedade estava cercada por dezenas de sem-terra e, lá dentro, estavam refugiados empregados da fazenda e quatro jornalistas, entre eles o repórter Vitor Aor, da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Pará, e repórteres da Rede Bandeirantes e da Rede TV.

As versões sobre o confronto são diferentes. A Santa Bárbara diz que os sem-terra tentaram depredar a sede da fazenda, e os seguranças reagiram. O MST diz que os seguranças contratados pela fazenda sequestraram um dos sem-terra enquanto eles estavam na mata da fazenda procurando palha para montar os barracos. Os sem-terra teriam tentado resgatar o companheiro, dando início ao conflito.

A fazenda foi ocupada em 27 de fevereiro passado por 200 famílias do MST. Segundo o movimento, um sem-terra identificado como Euclides, de cerca de 55 anos, foi o ferido mais grave, com dois tiros na boca, um na perna e um na barriga. Mas a Agropecuária Santa Bárbara informou que um segurança foi atingido com um tiro no olho e teve de ser socorrido de avião para Marabá. As duas partes reclamaram que a polícia ainda não havia chegado à fazenda, embora chamada muitas horas antes.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, telefonou para a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, do PT, oferecendo a ajuda da Força Nacional de Segurança Pública. A governadora disse que determinara o reforço da polícia do estado em Eldorado do Carajás e que, por enquanto, não há necessidade de socorro federal.

Segundo a coordenadora do MST em Marabá, Maria Raimunda Cesar, os seguranças da Escolta Armada, empresa contratada pelo grupo de Dantas, teriam se juntado a um grupo de pistoleiros, e quem estaria no comando seria um pistoleiro conhecido como Diva do Gogó da Onça. O MST negou que os sem-terra estivessem com armas de fogo. Segundo outros dirigentes, a fazenda teria cedido o uso de um caminhão para que os trabalhadores pegassem palha e madeira na mata.

- Foi uma armadilha. Quando os trabalhadores chegaram, foram humilhados. Fizeram eles cheirar grama, cheirar botas – disse o coordenador do MST no Pará, Charles Trocate. – Eles fizeram dois sem-terra reféns. Por volta das 16h, um grupo de sem-terra entrou de novo na mata para resgatar os dois supostos reféns. – Estão dizendo que fomos nós que iniciamos o conflito. Então, por que tem nove feridos e nenhum do lado deles ou só um, como eles estão dizendo? – disse Trocate.