Neste 29 de Setembro de 2011, os estudantes de Floresta experimentaram sentimentos variados em relação à sua condição de cidadãos, pois ao mesmo tempo que acreditavam observar o fenômeno democrático da efetivação do direito político de organização social, de movimento de estudantes, movimento este legitimado pela legislação brasileira, contraditoriamente estes mesmos estudantes – jovens mulheres em sua maioria – amargaram a decepção e a frustração de assistirem à uma cena típica dos porões das épocas mais retrógradas e mais obscuras da história deste país.
Ainda estamos atônitos e perplexos diante da amplitude da estupidez com a qual estudantes de diversas escolas foram tratados nas dependências da Escola Estadual Deputado Afonso Ferraz, num gesto de nitidez marcadamente conservadora, arbitrária e violenta contra a livre organização estudantil que havia programado e comunicado à referida escola sobre o evento de posse ao Grêmio Estudantil recém eleito e empossado pelos estudantes da Escola Afonso Ferraz.
A solenidade de posse dada ao grupo de estudantes ocorreu de forma harmoniosa e democrática. Após esta cerimônia, todos foram convidados a assistir à apresentação cultural em um dos pátios da escola. Ao instalar os equipamentos para iniciar a apresentação musical, os músicos foram surpreendidos pela gestora da escola que, subitamente, surgiu ao centro do pátio e, enfurecidamente, decidiu expulsar a todos os presentes, sendo estudantes, artistas e funcionários públicos enxotados do espaço acadêmico e, publicamente, humilhados perante outros funcionários, professores e demais alunos da referida escola pública.
Nestes tempos de “aparente saudosismo dos regimes de exceção”, os estudantes de Floresta afirmam sua postura militante contra as práticas conservadoras e violentas das velhas elites locais que, agonizando do fundo de seus sórdidos porões, ainda insistem em violar os direitos dos estudantes e dos jovens trabalhadores que são excluídos e silenciados há décadas nesta cidade. Nestes tempos de “Casas-Grandes e Senzalas”, os estudantes recusam essa prática de opressão e levantam suas bandeiras libertárias da democracia, afirmando que o grêmio da Escola Afonso Ferraz é apenas o primeiro de muitos outros que estão sendo edificados e que oligarquia nenhuma será capaz de cessá-los.
UNIÃO DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS DE FLORESTA – UESF

