por Tales de Castro
O movimento estudantil no ano passado pautou boa parte de seus debates pelo Plano de Reestruturação e Ampliação da Universidades Federais apresentado pelo governo federal.
O Reuni colocou uma nova perspectiva para as universidades brasileiras, debatendo o acesso ao ensino superior e a necessidade que existe de ampliar as estruturas nas instituições federais.
Longe de ser a revolução no modelo de ensino nas universidades, o Reuni se apresentou como alternativa na busca de democratizar o ensino superior de nosso pais, colocando como meta a ampliação de vagas e a criação de novos cursos.
Focado no debate que o governo federal apresentou, o que vimos mais uma vez, foi uma parcela do Movimento estudantil entrando na disputa de quem era mais ou menos governista, deixando de lado o que deveria ser o foco do nosso debate, que é o modelo educação que queremos para o nosso pais.
O debate da qualidade de ensino surgiu em cima de um projeto que não teve como centro discutir o projeto politico pedagógico da universidade, e sim a abertura da estrutura universitaria a mais pessoas que atualmente estão longe de ter acesso a uma formação de ensino superior.
Em meio a esse debate de quem divergiria ou concordaria mais com o governo, a UNE sentiu a necessidade de debater a educação de nosso pais em torno de um projeto formulado pelos próprios estudantes. Projeto este que deve buscar uma perspectiva pedagógica de concepção da universidade que queremos, buscando interferir de fato no modelo de ensino colocado hoje e que a maioria das pessoas reproduzem, que é o do individualismo e da competitividade. A qualidade de ensino nas universidades passa priroritariamente pela formação libertária e emancipadora das pessoas, deve trazer uma perspectiva humanista de ensino onde as pessoas possam ter consciência critica e melhor leitura da realidade, buscando contribuir para o desenvolvimento sócio – econômico e cultural de nossa sociedade.
Neste sentido toda a rede do movimento estudantil precisa compreender e encarar o desafio de transformar o atual modelo de ensino. O que esta em jogo é a mudança ou a reprodução de valores capitalistas que estão entranhados na atual concepção de universidade. A competitividade, a individualidade acima do coletivo, o preconceito às minorias e a lógica tecnicista de formação se soma à reprodução da história prevalecida por uma versão contada pelos detentores do poder econômico.
É este modelo de ensino que devassa e corrompe os seres humanos, que o movimento estudantil e a juventude devem estar com suas atenções focadas. A necessidade de humanizar o conhecimento e mudar a lógica de “tempos modernos” presente em nossa educação é que deve ser pauta do ME.
Se faz urgente o nosso debate sobre educação popular. Uma educação que além de garantir o acesso e a permanência nas universidades, possa deconstruir alguns conceitos presentes em nossa formação. Educação popular é a democratização da universidade em todos os niveis, principalmente na participação massiva e igualitaria da comunidade universitaria na definição dos rumos que a universidade deve tomar. E, mais do que isso, educação popular é fazer com que todo conhecimento produzido na universidade, seja produzido de forma a estabelecer dialogo com as demandas sociais presentes na contradição da nossa sociedade.
As pesquisas devem ser produzidas para e com o povo, fazendo com que de fato a extensão universitaria seja uns dos trípés indispensaveis para a formação universitaria de qualquer individuo. Precisamos fortalecer a extensão popular como instrumento de mudança da lógica capitalista na sociedade, contribuindo para que a população possa exercer influencia na produção do conhecimento, e que este seja produzido para atender e proporcionar alternativas para uma sociedade justa e soberana, com desenvolvimento sustentavel e qualidade de vida.
Este é o debate que a União Nacional dos Estudantes quer proporcionar nas universidades e para a sociedade como um todo. Um debate que vai muito além daquilo que os poderes instituidos podem apresentar, é um debate que de fato nos colocará no patamar de organizar a luta popular na disputa de hegemonia na sociedade, com concepções bem elaboradas de que modelo de sociedade que queremos viver, uma sociedade fraterna e com justiça social, uma sociedade que produza a humanização do conhecimento.
Tales de Castro é vice Presidente da UNE